segunda, 2 de março de 2026

Agressão contra Irã visa frear China e consolidar Israel, afirmam especialistas

A recente agressão dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a segunda em oito meses, tem como objetivo central a "troca de regime" em Teerã. Analistas em geopolítica e…
Foto: © Frame/Reuters - Proibido reprodução

A recente agressão dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a segunda em oito meses, tem como objetivo central a "troca de regime" em Teerã. Analistas em geopolítica e relações internacionais apontam que essa estratégia visa deter a expansão econômica da China, percebida como ameaça por Washington, além de consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio, refutando o discurso oficial de ataque preventivo.

Contenção da China e Estratégia Regional

Especialistas questionam o argumento de que a investida contra o Irã visa exclusivamente a contenção nuclear. Para Robson Valdez, do IDP, o ponto fundamental reside na disputa pelo equilíbrio de poder no Oriente Médio e na tentativa de Israel e EUA de frear a influência de Teerã. Essa ação impacta diretamente a China, uma das maiores importadoras de petróleo iraniano, que transita pelo estratégico Estreito de Ormuz.

O Elo Geoeconômico com Pequim

Ali Ramos, cientista político, enfatiza que o Irã é vital para o projeto geoeconômico chinês. Um Irã alinhado ao Ocidente poderia oferecer uma "cabeça de ponte" para sufocar e sabotar projetos de infraestrutura chineses na Ásia Central, além de potencialmente facilitar o armamento de grupos, como o Partido Islâmico do Turquestão Oriental, que opera contra Pequim na região de Xinjiang. Rodolfo Queiroz Laterza corrobora, afirmando que os EUA buscam remover o Irã da rota econômica e comercial euroasiática construída pela China e Rússia.

Objetivos de Regime e a Lógica Israelense

A professora Rashmi Singh, da PUC Minas, avalia que a campanha visa instalar um governo "fantoche" de Washington em Teerã, eliminando o principal obstáculo à hegemonia de Tel Aviv no Oriente Médio. A incapacidade de Israel de derrubar o governo iraniano em conflitos anteriores reforça a necessidade dessa nova investida para alcançar a supremacia estratégica regional, neutralizando mísseis balísticos e drones iranianos.

Desmentido Diplomático e Motivações Políticas

O discurso oficial de ataque preventivo é contestado por fatos diplomáticos. Rashmi Singh destaca que enviados de Trump foram desmentidos pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que revelou que um acordo para limitar o programa nuclear de Teerã estava próximo. Omã afirmou, antes dos ataques, que o Irã aceitou não estocar urânio enriquecido. Este contexto sugere que a guerra foi iniciada quando a paz estava ao alcance. Adicionalmente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é apontado por Singh por utilizar o conflito, incluindo a situação em Gaza, para fortalecer sua posição política e escapar de questões judiciais, especialmente em ano eleitoral.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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