domingo, 1 de março de 2026

Alckmin: Brasil mantém competitividade ante nova tarifa global dos EUA

O Brasil não perderá competitividade com a tarifa global de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (20) pelo presidente em exercício…
Foto: © Júlio César Silva/MDIC

O Brasil não perderá competitividade com a tarifa global de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (20) pelo presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, justificando que a medida será aplicada a todos os países exportadores, mantendo o Brasil em igualdade de condições no mercado norte-americano.

Decisão Judicial e Resposta de Trump

A declaração de Alckmin sucede uma decisão da Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegais tarifas impostas anteriormente por Donald Trump, baseadas em poderes de emergência. Por seis votos a três, a Corte determinou que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso, não do Executivo, anulando parte do 'tarifaço' que chegava a 50% em alguns produtos brasileiros. Alckmin classificou a decisão como 'muito importante' para o Brasil, pois 'abriu-se uma avenida para um comércio mais pujante', lembrando que no auge das medidas, 37% das exportações brasileiras eram oneradas, percentual reduzido para 22% após negociações.

Em resposta ao revés judicial, Trump anunciou a busca por novos caminhos legais para sustentar sua política tarifária, confirmando a implementação de uma nova taxa global de 10%, desta vez fundamentada em outros dispositivos da legislação comercial americana.

Cenário Comercial e Oportunidades

Para o vice-presidente, a nova tarifa de 10% não altera a posição relativa do Brasil no comércio com os Estados Unidos, reiterando que 'não perdemos competitividade' por ser uma medida global. Ele destacou que o Brasil não figura entre os países que geram déficit comercial para os EUA e reforçou a continuidade do diálogo bilateral.

Produtos Beneficiados e Desafios Estratégicos

Setores como máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas podem se beneficiar da redução das barreiras anteriores. No entanto, produtos estratégicos como aço e alumínio, previamente atingidos pela Seção 232 da legislação americana – que permite tarifas sobre importações consideradas ameaça à segurança nacional – ainda podem enfrentar desdobramentos jurídicos.

Impacto Econômico e Perspectivas Futuras

Especialistas avaliam que a derrubada das tarifas iniciais pode impulsionar a retomada das exportações brasileiras e mitigar pressões inflacionárias nos Estados Unidos, tornando produtos importados mais acessíveis. Em 2025, as exportações do Brasil para os EUA alcançaram US$ 37,7 bilhões, representando 10,8% do total exportado, e a redução de barreiras pode impactar fluxos de investimentos e o câmbio.

Apesar da decisão judicial desfavorável, Trump sinalizou que novas investigações comerciais e a estruturação de tarifas por outros instrumentos legais permanecerão como parte central de sua estratégia de proteção à indústria americana.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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