sexta, 6 de março de 2026

Apesar de promessa, Infantino vê lucro da Fifa cair muito

Gianni Infantino assumiu a Fifa em 2016 graças a uma campanha muito parecida a dos antecessores: distribuir dinheiro aos eleitores para garantir apoio. Dois anos depois, Infantino pode dizer cumprir…

Gianni Infantino assumiu a Fifa em 2016 graças a uma campanha muito parecida a dos antecessores: distribuir dinheiro aos eleitores para garantir apoio.

Dois anos depois, Infantino pode dizer cumprir a promessa com juros e correção monetária. Os delegados das 209 federações nacionais receberão documentos com os resultados financeiros da entidade na próxima quinta-feira, 13. Em apenas dois anos, Infantino comprometeu US$ 775 milhões a cartolas de todo o mundo, em mais de 1,6 mil projetos para supostamente desenvolver o futebol.

Documentos confidenciais da Fifa obtidos com exclusividade pelos jornal O Estado de São Paulo e The New York Times revelam uma Copa do Mundo resiliente. Apesar da crise de corrupção no futebol em 2015, novos parceiros asiáticos voltaram a garantir uma receita recorde. Desde a prisão dos cartolas, no mesmo ano, as perdas chegaram a US$ 997 milhões, um valor inédito. Infantino termina o segundo ciclo anual no cargo com um lucro líquido na Fifa de US$ 100 milhões, muito abaixo dos US$ 378 milhões na Copa de 2014, no Brasil. Mas, ainda assim, superou um déficit prufundo. Além disso, em reservas estratégicas, a Fifa espera contar com mais de US$ 1,7 bilhão ao final do ano “graças à Copa do Mundo”.

Os dados foram apresentados no último sábado, 9, em reunião particular em Moscou, capital da Rússia. Das 20 empresas atualmente integrantes da Fifa, sete são chinesas e cinco russas. Apenas cinco são marcas ocidentais, hesitantes em se associar à entidade. Pequim, com patrocinador em 2014, se transformou em uma espécie de “seguro de vida” do organismo máximo do futebol. Como se não fosse o suficiente, os royalties de videogames com referência à Fifa aumentaram em 223% apenas em 2017, quanto atingiu US$ 160 milhões. As receitas passaram de US$ 5,7 bilhões em 2014 para US$ 6,1 bilhões em 2018, conforme havia sido relevado anteriormente.

Mas a distribuição de dinheiro aos delegados foi ainda maior. Entre 2011 e 2014, Blatter distribuiu US$ 1 bilhão aos membros. Em apenas dois anos, o volume chega a US$ 775 milhões, mesmo com um espaço mais restrito para distribuir dinheiro. Segundo fontes da entidade, a distribuição de recursos tem relação direta com planos de garantir, em 2019, uma reeleição. Para isso, porém, além de mostrar resultados, precisa dividir o dinheiro com apoiadores, exatamente como fazia Joseph Blatter e João Havelange. Prova disso são os projetos aprovados.

Das 1,6 mil iniciativas, mais de 500 são destinadas a apoiar custos de operação das federações nacionais, ou seja, despesas como salários, transporte e até reformas de sedes. O benefício, portanto, é ao cartola e não necessariamente ao futebol daquele país. Ainda de acordo com os documentos, delegações mais pobres tiveram problemas em justificar o pedido de dinheiro, diante das exigências feitas sobre recibos e justificativas.

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