O Brasil registrou 437 mil hectares de área queimada em janeiro deste ano, marcando uma redução de 58% em comparação com janeiro de 2024 e configurando o menor índice para o mês nos últimos dois anos. Apesar da queda geral, dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, revelam um crescimento alarmante de incêndios no Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica no mesmo período.
Redução Geral e Biomas em Alerta
A área total atingida pelo fogo em janeiro (437 mil hectares) representa uma diminuição expressiva. No entanto, o aumento em biomas específicos preocupa especialistas. A coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, destaca que esses crescimentos são um alerta, “por ocorrerem em um mês que, em geral, registra menos fogo, já que grande parte do Brasil está no período chuvoso”.
Panorama por Bioma
Ao longo do primeiro mês do ano, a Amazônia liderou com mais de 337 mil hectares queimados, seguida pelo Pantanal (38 mil ha), Cerrado (26 mil ha), Caatinga (18 mil ha) e Mata Atlântica (14 mil ha), com o Pampa registrando apenas 59 hectares.
Em comparação com janeiro anterior, a Amazônia apresentou diminuição de 46% da área afetada, o Pampa registrou queda de 98% e o Cerrado de 8%. Contudo, o Pantanal observou um crescimento de 323% na área queimada, enquanto a Mata Atlântica e a Caatinga registraram aumentos de 177% e 203%, respectivamente.
Impacto na Vegetação Nativa e Uso do Solo
A maior parcela da área consumida pelo fogo no país em janeiro (66,8%) correspondeu à vegetação nativa, sendo 35% de formações campestres, 17,3% de campos alagados e 7,3% de florestas.
Entre as áreas com uso do solo modificado por atividades humanas, as pastagens foram as mais queimadas, respondendo por 26,3% do total atingido pelo fogo no país.
Roraima: Um Ponto Crítico na Amazônia
A Amazônia, apesar da redução geral em relação a janeiro anterior, foi o bioma mais queimado em extensão no primeiro mês do ano, com uma área nove vezes maior que a do Pantanal, o segundo bioma mais atingido.
Sazonalidade Invertida e Vulnerabilidade
O estado de Roraima, sozinho, registrou 156,9 mil hectares queimados, uma área três vezes maior que a total atingida no bioma Pantanal. Felipe Martenexen, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), explica que Roraima, inteiramente acima da Linha do Equador, possui um calendário climático distinto.
A estiagem, conhecida como “verão roraimense”, ocorre entre dezembro e abril, aumentando a vulnerabilidade ao fogo, especialmente em formações campestres (lavrados) e outras áreas abertas. Essa sazonalidade invertida está diretamente associada ao predomínio de queimadas nos estados amazônicos em janeiro, com Maranhão (109 mil ha) e Pará (67,9 mil ha) também entre os mais afetados.
