Uma ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel contra cidades iranianas, ocorrida neste sábado (28), marcou um desfecho abrupto para as negociações sobre o programa nuclear do Irã. Em apenas 48 horas, as conversas experimentaram uma drástica reviravolta, culminando em centenas de mortes, conforme revelado pelo mediador do diálogo.
Ofensiva Militar e Vítimas
Os ataques aéreos, que incluíram cerca de 200 caças atingindo mais de 500 alvos no Irã, resultaram em ao menos 201 mortos e aproximadamente 750 feridos, segundo o Crescente Vermelho. Entre as vítimas, 85 alunas perderam a vida em um bombardeio a uma escola no sul do país. Esta ação militar ocorre em meio a rodadas de encontros entre representantes do presidente americano, Donald Trump, e do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
O Papel do Mediador e Riscos Regionais
As negociações contavam com a mediação do ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi. A instabilidade regional gerada pelos ataques eleva a preocupação com o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo. Analistas temem um possível bloqueio iraniano, o que causaria uma escalada global nos preços da matéria-prima.
O Histórico do Impasse Nuclear
A discussão sobre os limites do programa nuclear iraniano se arrasta há anos. Enquanto Teerã defende que seu programa possui fins exclusivamente pacíficos, os Estados Unidos e aliados, como Israel, acusam intenções militares. O nível de enriquecimento de urânio é o principal indicativo para determinar a natureza pacífica ou militar de um programa nuclear.
Acordos e Retiradas
Em 2015, o então presidente americano Barack Obama (Partido Democrata) selou um acordo com o Irã, que aceitaria limitar sua capacidade de enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções econômicas. No entanto, em 2018, Donald Trump (Partido Republicano), já em seu primeiro mandato, retirou os EUA do pacto. Em 2025, no primeiro ano de seu segundo mandato, Trump sinalizou a necessidade de um novo acordo, o que levou o Irã novamente à mesa de negociações sob pressão e ameaça de guerra.
A Cronologia da Reviravolta
A análise das publicações de Badr AlBusaidi no X (antigo Twitter) revela a dramática mudança de cenário em 48 horas. Em **22 de fevereiro**, o mediador expressava satisfação com uma rodada de conversas marcada para o dia 26 em Genebra, antecipando 'impulso positivo' para finalizar o acordo. Em **26 de fevereiro**, ele declarava 'progresso significativo', com discussões técnicas futuras em Viena. Ainda em **27 de fevereiro**, após um encontro com o vice-presidente americano, J.D. Vance, AlBusaidi falava de 'paz ao alcance' e de um acordo 'sem armas nucleares'. Contudo, em **28 de fevereiro**, o ministro manifestou profunda 'consternação', declarando que as negociações foram 'prejudicadas' e que a escalada militar não serve aos interesses da paz global, apelando aos EUA para não se envolverem ainda mais no conflito, afirmando 'esta não é a sua guerra', e rezando pelos inocentes.
