terça, 3 de março de 2026

Atleta vende bolo em semáforo para disputar Sul-Americano

Clayton José da Rosa Munhoz tem 45 anos e é tricampeão brasileiro de levantamento de peso na categoria powerlifting. Com a conquista deste ano, ele foi convocado para defender o…

Clayton José da Rosa Munhoz tem 45 anos e é tricampeão brasileiro de levantamento de peso na categoria powerlifting.

Com a conquista deste ano, ele foi convocado para defender o Brasil no Sul-Americano da modalidade, que acontece entre os dias 3 e 7 de julho, em Guayaquil, no Equador. No entanto, antes de pensar na preparação física, ele precisa conseguir arrecadar R$ 5 mil para bancar os custos da viagem. Para isso, encara uma rotina pesada, que é dividida entre trabalho, treinos, tarefas domésticas e venda de bolos, que foi a maneira que ele encontrou para tentar viabilizar a realização do seu sonho.

O despertador de Clayton toca antes das 5h da manhã. Quando o relógio marca 5h30, ele já está atuando como personal trainer de seu primeiro aluno. O trabalho continua até às 9h, quando tira duas horas do dia para treinar e levantar peso. Das 11h às 13h, Clayton ministra mais aulas, até chegar o momento de ir para casa e ajudar a mulher, que se dedica à produção dos bolos e a cuidar da rotina doméstica, que inclui a educação de quatro filhas.

Quando os ponteiros batem 17h20, o casal já está no cruzamento das ruas Eça de Queiroz com Ernesto Geisel, região movimentada de Campo Grande (MS), vendendo seus bolos e sonhando em chegar na quantia de R$ 5 mil. Por R$ 10, os interessados podem escolher entre os sabores laranja, limão, fubá, chocolate, formigueiro, coco e baunilha. Clayton diz que o de laranja é o queridinho das vendas.

“Estamos lá há mais de um mês vendendo, houve uma mobilização da cidade. Não sei vai dar tempo ou [se vou conseguir] o volume necessário para ir para o campeonato. Já consegui R$ 800. Estamos vendendo de 12 a 15 bolos por dia”, revelou o esportista em entrevista ao Portal da Band.

E será que os bolos são proibidos na dieta do tricampeão brasileiro? “Não tenho teto, quando mais pesado estiver, melhor. Estou com 115 kg, mas já deveria estar com 120 kg”, contou.

Clayton conseguiu alguns parceiros que estão auxiliando na sua alimentação. Uma empresa de suplemento fornece o suporte nutricional que ele necessita para subir o peso, além do acordo com uma cooperativa de ovos, que viabiliza que ele coma as suas 20 unidades diariamente.

A carne vermelha é outra proteína presente no prato do atleta, que consome pelo menos 800 gramas do item todos os dias. Achou muito? “Eu precisaria do dobro, comeria fácil. O trabalho de levantamento de peso é muito pesado, são duas horas de esforço no treino, você sai varado de fome, não acredita o que o cara é capaz de comer”, explicou.

Apesar de todo o esforço, o medo de não conseguir o valor necessário e perder mais uma competição no exterior preocupa Clayton. No ano passado, ele ficou fora da disputa do Mundial na Rússia e do Pan-Americano em Orlando, Estados Unidos, competições em que teria condições de figurar entre os cinco melhores pelos resultados apresentados pelos adversários.

“Tô me virando de todas as formas, mas estou com a cabeça explodindo, minha qualidade de sono está ruim, não consigo dormir. Estou tentando fazer muitos contatos, cada amanhecer é um novo dia e mais uma batalha”, afirmou.

Para Clayton, o fato do powerlifting ainda não estar entre as modalidades olímpicas, vai entrar no calendário a partir de Paris-2024, dificulta o investimento. “Não temos direito a Lotofácil, raspadinha, tudo isso que ajuda o atleta. Quando entrarmos para os Jogos, o Brasil vai ver o que é o powerlifting, estamos entre os três melhores do mundo”, declarou o atleta, que diz que não estará competindo na França, mas que espera continuar como treinador da seleção brasileira.

Se você ficou se perguntando qual é a diferença entre o powerlifting para as demais categorias de levantamento de peso que são disputadas atualmente nos Jogos Olímpicos, é uma modalidade de força que engloba três movimentos: supino reto, agachamento e levantamento terra. É contada a maior carga válida para cada exercício, totalizando um valor final.

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