Um ato público no domingo (1º) na Marginal Tietê, Zona Norte de São Paulo, dará início às mobilizações pelo Dia Internacional das Mulheres. O evento homenageia Tainara Souza Santos, 31 anos, morta após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em novembro passado. Organizado pelo Ministério das Mulheres, o local escolhido marca o crime brutal que culminou no falecimento da jovem na véspera do Natal, com o agressor respondendo por feminicídio.
Homenagem e Conscientização Nacional
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, anunciou o ato em entrevista, destacando que a iniciativa transcende a memória de Tainara. Ela serve como um chamado à solidariedade e à conscientização nacional contra o feminicídio, conclamando parlamentares, gestores públicos, o sistema de Justiça, a sociedade e a mídia a se unirem no enfrentamento a este desafio.
O evento contará com intervenções artísticas de grafiteiras em muros de prédios locais, além da instalação de um mastro com mensagens antifeminicídio. Um trio elétrico acompanhará o trajeto, com a presença da família da vítima e de movimentos sociais, reforçando o simbolismo da mobilização.
Fortalecimento do Pacto Contra o Feminicídio
Márcia Lopes informou que 19 estados já aderiram ao Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio. A ministra planeja visitar as localidades que ainda não formalizaram o compromisso em março. Ela ressaltou a importância da integração e padronização das políticas entre União, estados e municípios para a prevenção do feminicídio, que define como o assassinato de mulheres por discriminação ou menosprezo à sua condição de gênero.
Estruturação de Políticas Públicas
A implementação de um Sistema Nacional de Política para as Mulheres é crucial, segundo a ministra. Tal sistema exige órgãos gestores e conselhos atuantes, além de uma rede de serviços amplamente conhecida e confiável pela população. É fundamental garantir sigilo e confiança para encorajar denúncias, demandando formação e profissionalismo das forças policiais e demais agentes.
Dados recentes indicam que o Brasil registrou um recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes diárias, sublinhando a urgência das medidas.
Prevenção e Combate à Violência de Gênero
Educação como Ferramenta Preventiva
O Ministério da Educação (MEC) regulamentará em março o projeto 'Maria da Penha vai à Escola'. A iniciativa visa educar estudantes e profissionais sobre a prevenção da violência doméstica e familiar. A ministra enfatizou a necessidade de ensinar igualdade de gênero desde cedo para construir uma sociedade equitativa e combater a banalização da inferiorização feminina.
Esporte e o Respeito às Mulheres
Márcia Lopes repudiou as declarações do zagueiro Gustavo Marques (Red Bull Bragantino) contra a árbitra Daiane Muniz, classificando-as como 'violência de gênero e machismo inadmissível'. Ela reiterou que mulheres não precisam provar sua capacidade em qualquer setor.
Sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, a ministra destacou a parceria do ministério com a CBF e outras instituições. O objetivo é assegurar que o evento seja um marco de mobilização e respeito às mulheres no esporte, promovendo um ambiente saudável e livre de crimes.
