Novos detalhes divulgados pela Polícia Civil do Paraná nesta quarta-feira (10) trazem à tona o clima de insegurança vivido por quatro homens de São José do Rio Preto (SP) antes de serem assassinados em Icaraíma, no noroeste paranaense. Gravações enviadas por duas das vítimas a familiares mostram que o grupo estava ciente dos riscos e da postura armada dos devedores durante a tentativa de receber uma dívida.
As investigações apontam que Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza foram vítimas de uma emboscada planejada. Segundo a perícia, eles foram mortos instantaneamente por disparos de pelo menos cinco armas diferentes, incluindo um fuzil, assim que chegaram a uma propriedade rural no dia 5 de agosto. O ataque partiu de três pontos distintos, atingindo o veículo em que estavam por vários ângulos.
Nos áudios, Diego Henrique relatou à esposa que o devedor, um homem idoso, circulava com um revólver no bolso e que a situação estava “tensa”. Já Alencar, que teria contratado os outros três para auxiliar na cobrança, expressou medo ao descobrir, durante as negociações, que os devedores teriam envolvimento com atividades ilícitas na região fronteiriça. “O bicho tá pegando”, afirmou Diego em uma de suas últimas mensagens.
Os principais suspeitos do crime são Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22 anos, que estão foragidos desde agosto. A polícia acredita que os corpos e o carro das vítimas foram enterrados às pressas em uma cova profunda logo após a execução. Um detalhe que chamou a atenção dos peritos foi o estado de conservação dos corpos, que passaram por um processo químico natural chamado saponificação, provocado pelas características do solo, o que preservou as estruturas mesmo após meses do crime.
O caso ganhou novos desdobramentos com a investigação de dois policiais civis da cidade, suspeitos de vazar informações que teriam facilitado a fuga dos Buscariollo. Enquanto a defesa dos suspeitos nega a autoria e levanta dúvidas sobre os valores da dívida e a identidade dos executores, a Polícia Civil segue com as buscas para localizar os foragidos e identificar todos os participantes da emboscada.
