A carreira meteórica da brasileira Bethe Correia no MMA diz muito sobre sua personalidade. Ao mesmo tempo em que o início da prática esportiva transformou sua pacata vida de contadora, o estilo agressivo – dentro e principalmente fora do octógono -, acelerou sua caminhada no esporte e a colocou diante de desafios cada vez maiores, mas nunca negados.
A audácia da paraibana foi tamanha que foram precisos apenas três anos para que a lutadora saísse do anonimato de sua estreia como profissional no evento Fisrt Fight e chegasse a disputar o cinturão do UFC contra a melhor atleta do mundo, a judoca Ronda Rousey. Uma história perfeita para um roteiro de cinema no caso da vitória, mas também um prato cheio para os críticos.
Derrotada em 34 segundos no evento principal da sétima edição promovida pelo UFC na cidade do Rio de Janeiro, Bethe passou a ser alvo até mesmo em mídias sociais, palco das maiores demonstrações de selvageria gratuita – e por vezes anônima – que se tem notícia. Nada, porém, que pareça ter abalado as estruturas da pupila dos Irmãos Pitbull.
Em conversa exclusiva com a reportagem da Ag. Fight, Bethe não titubeou em falar sobre nenhum dos assuntos que fizeram parte da atmosfera polêmica que envolveu seu confronto com a campeã peso-galo (61 kg) do UFC, com quem garantiu que ter um rivalidade eterna.
Confira a conversa na íntegra com a lutadora brasileira:
Ag. Fight: Bethe, passado o UFC 190, que avaliação você faz? O que deu de errado?
Bethe: O UFC 190 foi incrível. Vi o mundo parar para ver a luta. O público estava super animado, tivemos recorde de mídia… Foi um trabalho incrível. Como protagonista, acho que fiz um excelente trabalho. Bem, o resultado não foi como eu queria, mas me preparei bem. Quando me desequilibrei e dei o rolamento para me levantar, já fiquei meio que sem base e ela já tava muito em cima e acabou da mão dela entrar.
Ag. Fight: Ela te surpreendeu em pé? Você menosprezou o boxe dela?
Bethe: Nunca menosprezei o boxe de ninguém. Sabia que ela estava treinando bem. Mas ainda confio mais no meu boxe e acho que em uma luta de trocação da gente, acho que sou muito melhor e mais técnica do que ela. Acredito nisso. Ali, realmente ela soube aproveitar uma oportunidade e a mão entrou.
Ag. Fight: Normalmente, quando as lutas acabam, a rivalidade entre os aletas fica para trás. Acha que isso pode acontecer isso com vocês?
Bethe: Com essa luta marcada, passei a conhecer mais ela. Passei a ver quem ela é realmente. Sei como ninguém como ela é, e nunca vou ter um pingo de respeito. Nossa rivalidade vai ser para sempre, nunca vou torcer por ela, sempre vou torcer contra por toda a falsidade que vi no Brasil. Não tem como ter clima amistoso. Antes, durante e depois não nos cumprimentamos, e acho que nunca vou. Minha batalha é ser campeã. Se ainda for ela, vou querer sim uma revanche.
Ag. Fight: A Ronda deixou o cinturão dela no projeto social do Flávio Canto, no Rio de Janeiro. O que você achou disso? Aprovou a ideia?
Bethe: Não consegui enxergar ela como essa mulher querendo fazer esse simbolismo. Acho que tudo foi marketing dela. Pelo que conheci, pelo que vi da Ronda comigo, ela é a maior jogadora de marketing. Não enxergo ela fazendo boas ações assim não.
Ag. Fight: Assim que a luta acabou, a brasileira Jéssica Bate-Estaca te desafiou. Como surgiu essa rivalidade entre vocês?
Bethe: Não tenho rivalidade com brasileira nenhuma. Não sei porque ela tem. Estou tranquila. Vou lutar novamente este ano, quero uma top cinco para ficar próxima de lutar pelo título. Quero lutar pelo título o quanto antes em 2016.
Ag. Fight: Parte da torcida torceu contra você ao longo da semana da luta, e muitos internautas passaram a agredi-la nas mídias sociais. Porque estão pegando no seu pé? Isso te abalou?
Bethe: Eu já esperava isso, caso perdesse. Sabia que seria criticada, mas estou preparada. Sempre fui criticada antes e depois, comigo é supernatural. Fui criticada por entrar no MMA, o mundo me chamava de louca por nunca ter treinado nada na vida. Sempre dei a volta por cima e em três anos disputei o titulo. Quem está rindo de mim, uma hora vai me aplaudir. Tenho a cabeça muito boa para isso.
Ag. Fight: Por fim, você se arrepende de algo do que fez?
Bethe: Nada, estou muito satisfeita. O evento foi magnifico, todos elogiaram. Parou o mundo, foi recorde de mídia, tudo foi lindo. O resultado não foi como eu queria, mas a minha mão poderia ter entrado, acontece. Este ano vou pegar uma top cinco. Quero fazer eventos maiores, quero que o próximo seja dez vezes maiores. Nasci para isso, nasci para brilhar.
