segunda, 2 de março de 2026

Bloco do Amor completa 11 anos em Brasília: Carnaval da diversidade, respeito e segurança na folia.

O Bloco do Amor celebrou mais um ano de folia em Brasília, consolidando sua trajetória de 11 anos como um espaço de respeito, diversidade e livre de preconceitos. Atraindo cerca…
Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil

O Bloco do Amor celebrou mais um ano de folia em Brasília, consolidando sua trajetória de 11 anos como um espaço de respeito, diversidade e livre de preconceitos. Atraindo cerca de 70 mil pessoas neste sábado de carnaval nos arredores da Biblioteca e do Museu Nacional, o evento reafirmou o potencial transformador da festa, promovendo aceitação e um convívio harmonioso.

Pioneirismo e Expansão na Capital

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu da proposta de ocupar o centro de Brasília com manifestos político-poéticos que celebram o respeito, a diversidade e o afeto coletivo, sempre com muita cor e brilho. A iniciativa partiu da produtora cultural e coordenadora geral Letícia Helena, que identificou a necessidade de se discutir o amor na cidade e promover representatividade nos espaços públicos.

O bloco teve suas primeiras edições na Via S2 do Plano Piloto, em um trabalho voluntário que visava envolver profissionais. Devido ao rápido crescimento e à crescente demanda de público, o evento foi realocado para a área externa do Museu Nacional de Brasília, transformando-se em uma das celebrações mais emblemáticas e afetuosas do carnaval da capital.

Folia com Lema e Inclusão

“Sonhar como Ato de Existência” Guia a Celebração

Em sua filosofia, o Bloco do Amor adota o lema “Sonhar como Ato de Existência”, que posiciona o sonho e a alegria como ferramentas de resistência e transformação social. Com um público notavelmente plural, incluindo a comunidade LGBTQIAPN+, o bloco se estabelece como um território acolhedor, onde a folia se manifesta de forma respeitosa e inclusiva. A diversidade é expressa também na variedade de ritmos, que vão do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e forró, conforme explicou Letícia Helena, coordenadora geral.

Redução de Assédio e Compromisso com a Segurança

A dedicação do Bloco do Amor em promover um ambiente seguro e livre de preconceitos tem gerado resultados significativos. Letícia Helena destaca que, enquanto nos primeiros anos havia um número considerável de casos de assédio, a edição de 2024 registrou zero ocorrências de violência e assédio contra mulheres, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Esse avanço é atribuído ao trabalho rigoroso de preparação da equipe de produção, que segue protocolos específicos para diversas situações.

Depoimentos: A Voz dos Foliões

Para muitos, o Bloco do Amor representa mais do que uma festa. Fernando Franq, 34, e Ana Flávia Garcia, 53, descrevem-no como o “bloco dos corações” do casal. Fernando enfatiza que é um ambiente de muita arte, com artistas e um local seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos com quem se identificam profundamente.

Ana Flávia acrescenta que, além de ser musicalmente rico, o Bloco do Amor é intrinsecamente seguro e desprovido de preconceitos. Ela observa que é um ambiente onde as pessoas se apropriam de seus próprios corpos e são plenamente aceitas. Para ela, essa essência de respeito e aceitação no pensamento coletivo é o que torna o carnaval verdadeiramente revolucionário.

Essa percepção é compartilhada pela nova geração de foliões, como Clarisse Pontes, 22, que aproveita seu primeiro carnaval em Brasília. Clarisse sublinha a importância de um ambiente tranquilo e respeitoso, onde a nudez é vista com naturalidade e protegida de assédios e preconceitos, refletindo a conscientização da juventude sobre esses valores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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