sexta, 6 de março de 2026

Buscas por corpo de estudante trans desaparecida em Ilha Solteira são encerradas

As buscas pelo corpo da estudante Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, que desapareceu em Ilha Solteira desde 12 de junho, foram encerradas neste domingo (20) no rio São José dos Dourados. As autoridades, incluindo a equipe da Marinha do Brasil, realizaram operações intensas no sábado e domingo, das 9h às 18h, cobrindo cerca de 20 km de extensão.

Para acessar pontos de difícil navegação, foi utilizado um jet ski. No entanto, a densa vegetação aquática dificultou os trabalhos, e nenhum vestígio foi localizado no rio. A equipe da Marinha, que retornou na segunda-feira (21) para Barra Bonita, informou que permanece à disposição para novas operações, caso a Polícia Civil solicite.

Homenagens e Pressão por Justiça

Enquanto as buscas no rio são pausadas, amigos e familiares de Carmen organizam uma homenagem em Ilha Solteira, que incluirá exposição de fotos e um sarau cultural. Estudantes da Unesp, onde Carmen cursava zootecnia, também realizaram um ato no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Goiás, para denunciar o caso e cobrar justiça.

Detalhes da Investigação de Feminicídio

Segundo o boletim de ocorrência, Carmen foi vista pela última vez em 12 de junho, após fazer uma prova na Unesp. Ela havia saído de casa na noite anterior com uma bicicleta elétrica preta, que não foi encontrada. O sinall do celular de Carmen foi captado pela última vez próximo ao rio da cidade. Familiares e amigos mobilizaram a comunidade em manifestações e ações de busca. Marcas de pneus compatíveis com os da bicicleta foram encontradas em áreas de mata próximas à universidade.

Dois dias antes de o desaparecimento completar um mês, a polícia prendeu o namorado de Carmen, Marcos Yuri Amorim, e o policial militar ambiental da reserva Roberto Carlos de Oliveira. Segundo as investigações, ambos mantinham um relacionamento afetivo e financeiro.

A Polícia Civil trata o caso como feminicídio. O delegado Miguel Rocha afirmou que Carmen teria sido assassinada na casa de Marcos Yuri, em um assentamento, onde câmeras de segurança a registraram entrando, mas não saindo. Os dois suspeitos estão presos preventivamente em unidades prisionais diferentes.

A investigação aponta que Carmen pressionava Yuri para que ele assumisse o relacionamento e que ela havia descoberto que ele praticava furtos. No computador da vítima, os investigadores encontraram um dossiê com denúncias contra o namorado, que havia sido apagado no dia do desaparecimento. A polícia acredita que os dois suspeitos mataram Carmen no Dia dos Namorados, em 12 de junho, e ocultaram o corpo.

Além da Marinha, equipes da Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, pescadores e especialistas da Unesp participaram das buscas utilizando drones, sonar e equipamentos de leitura eletromagnética do solo. Na última quarta-feira (16), a polícia encontrou ossos queimados na propriedade de Marcos Yuri. O material foi enviado para análise de DNA, e a suspeita inicial é de que seja de origem animal, mas o resultado ainda não foi divulgado.

O advogado de Roberto Carlos afirmou que seu cliente é inocente e que irá comprovar isso. O advogado de Marcos Yuri não foi localizado para comentar o caso.

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