quarta, 11 de março de 2026

Câmara de Fernandópolis sobe o tom nas cobranças à gestão Cantarella na última sessão de 2025

“Falta ação”: Vereadores dão voto de confiança ao aprovar R$ 466 milhões para 2026, mas alertam prefeito sobre lentidão administrativa e déficit na Educação Especial

Na última sessão ordinária de 2025, realizada nesta quinta-feira (18), a Câmara Municipal de Fernandópolis aprovou o pacote orçamentário para o próximo exercício (PPA, LDO e LOA). No entanto, o que parecia uma votação tranquila transformou-se em um palco de fortes cobranças e recados diretos à administração do prefeito João Cantarella. Embora o Legislativo tenha garantido ao Executivo a “credibilidade” necessária para gerir um orçamento de R$ 466,9 milhões, os parlamentares deixaram claro que a paciência com a inércia de algumas secretarias está chegando ao fim. OUÇA NOSSA ANÁLISE FRIA, SEM CURVAS E DIRETA SOBRE O FATO NO PODCAST ABAIXO

“Damos a credibilidade, mas falta retorno”

A fala mais contundente partiu do vereador Baroni. Ao destacar que a Câmara tem sido proativa — buscando quase R$ 20 milhões em recursos com deputados apenas neste ano —, ele criticou a falta de agilidade da prefeitura em converter esses recursos e pedidos em benefícios reais para a população.

“João, você tem compromisso com a gente e nós estamos te dando credibilidade. Mas, pelo menos, dê um retorno para nós. O João tem que delegar os poderes às suas secretarias; ele não dá conta de tudo sozinho. Está faltando um pouco de ação“, disparou Baroni da tribuna.

O parlamentar reforçou que Fernandópolis “está em primeiro lugar”, mas que o prefeito precisa abraçar as indicações dos vereadores, que são quem ouvem as reclamações diretas nos bairros sobre saúde, educação e infraestrutura.

Educação Especial: A “vitória” que ainda é insuficiente

A criação de quatro cargos de Professor PEB 2 para Educação Especial foi aprovada, mas não sem antes ser alvo de críticas quanto à sua abrangência.

  • Pressão por Agilidade: O vereador Carlos Cabral exigiu que a prefeitura não perca tempo com a burocracia: “Agora, precisamos que a administração organize para que esses professores possam ser convocados e que em fevereiro já estejam entrando em exercício”. Cabral alertou que, sem o profissional especializado, o aluno laudado fica “à margem” da inclusão.
  • A Fila Invisível: O vereador Pedroso elevou o tom ao revelar que a medida é apenas um “paliativo” diante de uma fila de 234 crianças que ainda aguardam laudos e atendimento especializado. “Agradeço ao prefeito pela expertise, mas precisa de muito mais. A periferia depende desses laudos para ter uma alfabetização de qualidade”, pontuou Pedroso.

Servidores e Licença-Prêmio

A aprovação da nova regra para a Licença-Prêmio (que impede que servidores percam o direito ao benefício por estarem em tratamento de doenças graves) também foi lida como uma correção de rota imposta pela Câmara ao Executivo. O vereador Daniel de Domênices destacou que a discussão só avançou por pressão dos parlamentares e dos servidores, exigindo que a administração Cantarella seja mais “justa” e tenha critérios humanos na análise das perícias médicas.

OS PONTOS DE PRESSÃO NA PREFEITURA:

SetorPrincipal Cobrança dos Vereadores
Gabinete do PrefeitoMaior descentralização de poder e agilidade na execução das demandas parlamentares.
EducaçãoConvocação imediata de especialistas para suprir a demanda de 234 crianças na fila.
Infraestrutura/ObrasManutenção asfáltica e limpeza urbana (alvo de diversas indicações na sessão).
Gestão de PessoasTratamento justo e humanizado na concessão de benefícios e licenças de servidores.

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