quinta, 5 de março de 2026

Censo Escolar 2025: Matrículas Caem, Mas Eficiência e Acesso Avançam

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, nesta quinta-feira (26), os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025….
Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, nesta quinta-feira (26), os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025. O levantamento registra 46,018 milhões de estudantes distribuídos em 178,76 mil escolas públicas e privadas, evidenciando uma redução de 2,29% nas matrículas em comparação com 2024. Essa queda, correspondente a cerca de 1,082 milhão de alunos a menos, é interpretada por especialistas como um reflexo de mudanças demográficas e da maior eficácia do sistema educacional.

Demografia e Atendimento Escolar

Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, esclareceu que a diminuição no número de matrículas não representa um problema, mas sim um sinal de que o atendimento educacional à população está aumentando. A principal explicação reside na redução da população em idade escolar, notadamente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos. Projeções da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE indicam um recuo de 8,4% na população de 0 a 3 anos entre 2022 e 2025.

Apesar da diminuição populacional, as taxas de frequência escolar apresentaram melhorias. A taxa de atendimento para crianças até 3 anos, cuja matrícula em creche não é obrigatória, subiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, alcançando 39,8%. Para a faixa etária de 4 a 17 anos, em que a frequência escolar é compulsória, o índice de frequência atinge 97,2%, conforme dados do IBGE de 2024.

Otimização e Qualidade na Educação

Outro fator contribuinte para a redução das matrículas, segundo o MEC, é a melhoria dos indicadores de distorção idade-série e a queda nas taxas de repetência. O ministro da Educação, Camilo Santana, enfatizou que a menor retenção de alunos resulta em um sistema mais eficiente. A redução da distorção idade-série permite que estudantes “atrasados” concluam seus estudos, impactando o número total de matrículas de forma positiva.

O ministro apontou que a distorção idade-série no ensino médio, por exemplo, registrou uma expressiva redução de 61% entre 2022 e 2025, caindo de 27,2% para 13,99% apenas no 3º ano. Santana concluiu que o Brasil “praticamente universalizou o acesso à escola”, e o foco atual é assegurar a qualidade e a equidade do ensino.

Perspectiva de Especialistas

Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, corroborou a análise, destacando a mudança estrutural na demografia brasileira e a melhoria dos dados de frequência escolar como aspectos favoráveis. Ela ressaltou que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. A especialista sublinhou a necessidade de garantir acesso, permanência e qualidade do aprendizado em todas as etapas, exigindo uma articulação federativa mais robusta e estratégica.

Avanços em Educação Infantil e Conectividade

No âmbito da educação infantil, o Censo 2025 indica que 41,8% das crianças de 0 a 3 anos têm acesso à creche, o patamar mais alto já registrado, aproximando-se da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Somente em 2025, o governo federal apoiou a criação de 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) prevê um investimento de R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas creches.

A conectividade nas escolas de educação básica também avançou significativamente, com o percentual de escolas com acesso à internet passando de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025. O ministro Camilo Santana informou sobre o investimento de R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025 em escolas estaduais e municipais, elevando a conectividade adequada para fins pedagógicos de 45% para 70%, apesar dos desafios persistentes na região Norte.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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