A Polícia Civil de Guapiaçu abriu um inquérito para apurar a morte de nove cães no canil municipal e identificar os responsáveis pelo abandono de animais na unidade. A investigação ganhou força após imagens de câmeras de segurança registrarem, no dia 26 de dezembro de 2025, um motorista e uma passageira deixando dois filhotes na frente do local. De acordo com a veterinária responsável pelo canil, esses dois animais chegaram doentes e, devido à falta de espaço para isolamento, acabaram transmitindo uma doença grave para outros cães que já estavam abrigados.
O problema de infraestrutura no canil teria sido o estopim para a tragédia. Antes da chegada dos novos filhotes, nove cães que haviam sido resgatados no início de dezembro estavam saudáveis e dividiam uma baia. Sem locais disponíveis para a separação dos novos animais, os dois filhotes abandonados foram colocados junto ao grupo antigo. Poucos dias depois, no início de janeiro, os recém-chegados apresentaram sintomas graves, como diarreia com sangue, e morreram rapidamente. O contágio se espalhou logo em seguida, causando a morte de outros sete cães em um intervalo de apenas 24 horas.
Protetores de animais da cidade, incluindo membros da ONG Projeto Patinhas Salvas, denunciam que a unidade não possuía testes disponíveis para todos os animais e que a falta de baias de isolamento transformou o local em um foco de infecção. Segundo os relatos, o avanço da doença, com características de parvovirose, foi tão rápido que não houve tempo para intervenções médicas eficazes. Diante do cenário, uma representante da causa animal registrou um boletim de ocorrência contra a prefeitura, alegando que os cães são mantidos em condições inadequadas e sem a dignidade necessária.
Em nota, a Prefeitura de Guapiaçu informou que adotou medidas sanitárias emergenciais após os óbitos, como a desinfecção rigorosa do ambiente com produtos específicos e o isolamento dos animais que sobreviveram. O governo municipal também afirmou que os cães remanescentes estão sob tratamento em uma clínica particular. Enquanto a Polícia Civil analisa as imagens para responsabilizar quem abandonou os primeiros filhotes doentes, o canil municipal também deverá prestar esclarecimentos oficiais sobre as condições de higiene e a capacidade de atendimento da unidade.
