sábado, 7 de março de 2026

Deva Pascovicci, ex-Locutor da Antena 102 FM

A trajetória de Deva Pascovicci no jornalismo esportivo é absolutamente inusitada. Trazido por Wanderley Garcia, em 1999, para reforçar a equipe da Antena 102 FM, que tinha programação musical voltada…

A trajetória de Deva Pascovicci no jornalismo esportivo é absolutamente inusitada. Trazido por Wanderley Garcia, em 1999, para reforçar a equipe da Antena 102 FM, que tinha programação musical voltada para ouvintes de 13 a 30 anos, ele acabou virando narrador esportivo na esteira da formação do timaço de basquete de Jales, com jogadores como Maury, Gerson e Luís Felipe (seleção brasileira) George Torres (seleção de Porto Rico), e dois norte-americanos. O antigo DJ acabou transformando-se em um talentoso narrador. Até que um dia, o jalesense Carlos Rayel, dirigente máximo do time de basquete e que arrendara o horário esportivo da antiga Rede Manchete—12 horas aos sábados e mais 12 aos domingos — telefonou para Deonel Rosa Junior, diretor do Jornal de Jales, pedindo-lhe que localizasse Deva e lhe fizesse proposta de contrato em São Paulo. Era uma segunda-feira. O radialista, que estava participando de churrasco com colegas da Antena 102 na casa do DJ Rafa, pensou, a princípio, que era pegadinha e só acreditou depois de falar, no dia seguinte, com Rayel. Ele ficou na Manchete de l992 a 94, depois foi para o SporTv, canal por assinatura da Globosat (l995 a 2005) e, de lá, para a CBN, do Sistema Globo de Rádio. Deva, 44 anos, casado com Rosana (que ele conheceu em Jales), dois filhos, embarca amanhã, dia 7, para a África do Sul. Quatro dias antes, foi entrevistado pelo J.J.

J.J. – Exatamente há quatro anos, poucos dias antes de embarcar para a Alemanha, você foi surpreendido com um diagnóstico de câncer, o que o tirou da Copa do Mundo. Como você se sentiu?
Deva Pascovicci – Mesmo tendo participado de outras coberturas, aquela era muito especial. Tinha apenas um ano de Rádio CBN, o projeto era muito bom, a cobertura seria para toda rede, vinha me preparando há um bom tempo. Foi muito difícil, mas percebi também muito rápido que tinha que me cuidar. Em nenhum momento desanimei, sabia que tinha algo reservado, que alguma coisa de muito bom aconteceria no futuro. Esses últimos quatro anos foram os melhores da minha vida, graças a Deus.

J.J. – E agora, é a volta por cima?
Deva Pascovicci – É uma mistura de sentimentos, difícil explicar. Grande parte desses sentimentos estão ligados a Jales. Me lembro da cobertura que fizemos em 2002, do basquete. A ansiedade é exatamente a mesma, por incrível que pareça, a dimensão do trabalho também.

J.J. – Quantos jornalistas formam a equipe da CBN que vai à Copa? São nomes conhecidos no mercado ou profissionais da nova geração?
Deva Pascovicci – A CBN faz parte das organizações Globo, do Sistema Globo de Rádio. No total seremos doze pessoas. Tem o Gerson (canhotinha de ouro), Juca Kfouri, José Carlos Araújo, Oscar Ulisses.

J.J. – O Dunga não gosta de jornalistas que criticam seu trabalho. Como vai ser a linha editorial da CBN?
Deva Pascovicci – A CBN não se intimida com o patriotismo da comissão técnica, temos total liberdade para elogiar ou criticar. Nosso trabalho está totalmente voltado para questões táticas/técnicas, a gente se mete também nas questões administrativas da CBF. Infelizmente estão diretamente relacionadas, basta lembrar como ficou a preparação em 2006.

J.J. – Como você viu a convocação dos 23 nomes que formam a seleção do Dunga?
Deva Pascovicci – Quando fala de coerência, ele se esquece da maior de todas as incoerências. Foi colocado como técnico da maior seleção do planeta sem nunca ter sido sequer técnico de clube. Justifica a não convocação de gorotos dizendo que falta experiência. Tudo isso ficou para trás. Ele gosta tanto de grupo que montou dois, os titulares e dos reservas, faltam opções para mudar a maneira do time atuar.

J.J. – A CBN é a conhecida como “a rádio que toca notícia”. Qual o espaço que a rede vai reservar para o Mundial?
Deva Pascovicci – Recebi a escala dos jogos essa semana, teremos uma cobertura jornalística muito presente. Serão mais de 30 entradas ao vivo durante o dia, teremos ainda 18 transmissões ao vivo. Todos os jogos do Brasil serão feitos diretamente dos estádios. Os outros jogos serão narrados do IBC.

J.J. – Quantas coberturas de eventos esportivos internacionais você tem no currículo?
Deva Pascovicci – Considero também as coberturas que fiz, mesmo não estando no local, que acaba sendo mais intensa do que para aqueles que estavam “in loco”. Olimpíadas de Atlanta, Sydney, Atenas e copas da França, Coréia/Japão.

J.J. – Você está confiante nesta equipe convocada pelo Dunga?
Deva Pascovicci – Não acredito em meio termo: ou vai ou racha. Se bobear, pode ficar na primeira fase. Nossos adversários vão jogar como a Bolívia, não vão se expor. Futebol da seleção não se encaixa contra esses adversários, todos os grandes jogos que fizemos (Argentina, Chile, Uruguai) foram adversários que atacaram e deram espaço para os contra-ataques.

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