quarta, 11 de março de 2026

Diretor agredido em escola de Votuporanga relata sentimento de desproteção após “mal-entendido”

O diretor agredido pelo pai de uma aluna em uma escola municipal de Votuporanga (SP), na última segunda-feira (1º), afirmou se sentir desprotegido e disse que o ataque foi motivado por um mal-entendido envolvendo a fala de uma professora. O caso, que aconteceu na Escola Municipal “Professor Benedito Israel Duarte”, foi registrado por câmeras de segurança.

A agressão ocorreu após o pai da aluna, de nove anos, procurar a instituição alegando que a filha teria sido chamada de “burra” pela professora do ensino fundamental I.

Mal-entendido e Agressão

O diretor confirmou que conversou com a pedagoga, que negou ter insultado a criança. Segundo a vítima, a professora teria dito à aluna para “não ficar emburrada“, pois ela não queria realizar uma atividade. A criança, no entanto, confundiu a palavra, e o pai interpretou a situação de forma agressiva.

“A professora é tranquila e muito querida, inclusive pela família. A criança não mentiu, mas confundiu a palavra. O pai interpretou de forma raivosa, distorcido do que de fato aconteceu. Me sinto desprotegido, mal em relação à segurança”, explicou o diretor.

Ao tentar explicar ao pai que seria necessário abrir um procedimento administrativo para apurar os fatos antes de tomar uma decisão, o diretor foi surpreendido. “Eu pedi para ele se acalmar, para ele diminuir a agressividade. Ele sentiu como se eu estivesse confrontando ele. Não imaginei que ele fosse agredir”, lembrou o professor, que não reagiu ao soco, como mostram as imagens.

Investigação

O pai da aluna foi preso em flagrante pela Polícia Militar, mas pagou fiança durante a audiência de custódia e foi liberado. A delegada Karina Gonçalves Tirapeli de Biazi, responsável pelo caso, informou que um inquérito policial foi instaurado para investigar a agressão. O pai foi indiciado por dano contra o patrimônio público e ameaça. A polícia aguarda o laudo do exame da vítima para verificar a ocorrência de lesão corporal e ouvirá testemunhas.

O diretor, que atua há 14 anos na área e nunca havia passado por algo semelhante, disse que ficou abalado, mas não pediu afastamento, pois tem recebido apoio da comunidade escolar. Ele se reuniu na quinta-feira (4) com a mãe da criança e a professora para tratar do caso. A Secretaria Municipal de Educação repudiou a agressão e instaurou uma sindicância interna para apuração.

Notícias relacionadas