domingo, 1 de março de 2026

Distúrbios que levam à obesidade

Auto-estima baixa, ansiedade, variações repentinas de humor, perda do controle da situação, quadro depressivo e compulsão por alimentos altamente calóricos são alguns dos sintomas mais freqüentes que pacientes apresentam no…

Auto-estima baixa, ansiedade, variações repentinas de humor, perda do controle da situação, quadro depressivo e compulsão por alimentos altamente calóricos são alguns dos sintomas mais freqüentes que pacientes apresentam no consultório do psiquiatra Marco Aurélio van Erven, de São José do Rio Preto. A causa desses sintomas: medicamentos anorexígenos derivados de uma substância que, segundo o especialista, deveria ser totalmente proibida no Brasil, a anfetamina.
A substância é tão nociva que o médico já presenciou a morte de uma paciente que, ao tentar buscar ajuda psicológica muito tarde, não resistiu aos estragos do medicamento que hoje é vendido e receitado normalmente no país. “Ela deveria ser proibida e ponto final. A população não deveria ter acesso e os médicos que receitam essa substância deveriam ser punidos”, expressa sua opinião como especialista em tratamentos reversivos aos quadros de transtorno alimentar, na maioria das vezes, causados pela compulsão do emagrecimento.
A paciente citada acima morreu de arritmia, irregularidade e desigualdade das contrações do coração (segundo definição do dicionário on-line Priberam). Não tão comum, mas em estágios avançados do transtorno esse é um fato possível de acontecer, como informa Erven. “Ela era viciada em usar a fórmula. Em algumas pessoas essa substância causa sensações de bem estar, em outras causa um grande desconforto, mas no caso dela, já tinha sido transformado em vício. A finalidade já não era mais o emagrecimento, ela usava a substância como estimulante”, explica.
O médico explica que as pessoas que estão acima do peso geralmente apresentam transtornos de humor e de ansiedade, e os medicamentos para tratamentos de emagrecimento, com a função de acelerar o metabolismo, aumentam ainda mais a ansiedade. Por isso que junto com o medicamento deve ser receitado um tranqüilizante, um laxante e um outro medicamento que aumenta o funcionamento do intestino.
Ele diz que não é contra os tratamentos de perda de peso, mas alerta que é preciso ter cuidado com as substâncias que serão ingeridas. “A sibutramina pode ser utilizada sem problema algum, tem efeitos colaterais, mas não é nada que leve à psicose”, exemplifica.
Congresso
Em junho, Erven esteve no Congresso Brasileiro de Transtorno Alimentar e Obesidade promovido pelo Ipub (Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil) que agora é considerada a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele diz que no encontro o assunto foi amplamente discutido e acredita que os especialistas estão se voltando ao tema que deverá ganhar cada vez mais espaço no país.
No congresso estiveram especialistas de várias áreas, psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas, cardiologistas, todos com a finalidade de trocar informações sobre o transtorno que abrange milhares de pessoas no país.
Quanto à procura pelos tratamentos psiquiátricos, Erven deixa claro que a proporção é pequena tendo em vista o descontrole a vasta liberação de medicamentos altamente nocivos. “As pessoas ainda têm muitos preconceitos com os tratamentos psiquiátricos, elas pensam que só os loucos freqüentam os consultórios. E, infelizmente, só procuram depois de passar por todos esses problemas”, lamenta o especialista.
Ele aconselha sobre a maneira mais correta de iniciar tratamentos para emagrecimento: o paciente deve ser submetido à avaliação clínica geral para descobrir a causa da obesidade, que pode ser genética, cultural ou psicológica, por meio dos transtornos. “Existem vários fatores que causam a obesidade. É preciso descobrir para tratar diretamente a causa do problema”, reforça.

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