A crise na Secretaria de Saúde de Fernandópolis atingiu um ponto crítico. O que começou como rumores e insatisfações nos bastidores se tornou uma realidade inegável que afeta diretamente o serviço público e o moral dos funcionários. Diante de um quadro de piora nos serviços de saúde e uma série de escândalos, torna-se insustentável a permanência do secretário José Martins Pinto Neto e de sua equipe nos cargos de gestão, os mais chegados.
O que se observa hoje não é apenas uma ineficiência administrativa, mas uma verdadeira guerra interna que respinga em quem mais precisa: a população. Servidores, sobrecarregados e desmotivados pela alegada incompetência dos novos gestores, chegam ao limite, resultando em “surtos” e episódios lamentáveis que expõem a fragilidade da atual administração da saúde. A tensão escalou para um novo patamar na manhã desta sexta-feira, 8 de agosto de 2025, quando uma médica perdeu a paciência e foi à Secretaria de Saúde para expressar, em voz alta, a indignação de sua equipe sobre a gestão de Zé Martins e do coordenador-mor André Lozano. O novo escândalo, que ecoou pelos corredores, é mais um sinal claro do descontentamento profundo entre os profissionais de saúde.
Os fatos se acumulam e desmascaram a falta de transparência e o aparelhamento político. O caso das canetas de insulina, supostamente retiradas da farmácia municipal para uso em um projeto particular da Universidade Brasil, é um grave exemplo do desvio de finalidade. A versão evasiva e contraditória do secretário José Martins ao ser questionado sobre o assunto apenas reforça a desconfiança.
Um novo e grave episódio de constrangimento se soma à lista. A prefeitura investiga a morte de um munícipe por suposta negligência na saúde pública. Para tentar amenizar a situação, o secretário José Martins teria prometido custear as despesas fúnebres com dinheiro da prefeitura. O caso escalou para um lamentável confronto quando a mãe da vítima foi à prefeitura para cobrar a fatura e, segundo relatos, gritava: “Cadê o rato do Zé Martins, em que buraco ele se escondeu?”, dando a entender que o secretário estaria se esquivando de uma promessa que não poderia cumprir, expondo a família a um enorme constrangimento em meio ao luto.
Além disso, Martins é acusado de inventar situações para descredibilizar o provedor da Santa Casa, Marcus Chaer. Em uma recente reunião da DRS-15 em Rio Preto, o secretário teria sido desmascarado em suas alegações, expondo ainda mais a crise de relacionamento entre a pasta municipal e a principal unidade hospitalar da cidade.
Enquanto a saúde em Fernandópolis segue em queda livre, com gestores mais focados em reuniões do que em soluções práticas, o prefeito João Paulo Cantarella se mantém em um silêncio perturbador. Sua inação diante de tantos problemas — desde os “surtos” de funcionários até a postura agressiva do pupilo de Martins, André Lozano, em uma discussão com o homem forte de seu governo, Júlio Sant’Anna — secretário de Gestão, sugere uma conivência perigosa.
A inércia do prefeito diante das “cagadas” cometidas na Secretaria da Saúde é um desserviço à cidade. A saúde de Fernandópolis pede socorro, e a população clama por uma resposta. O silêncio do prefeito, neste momento, é ensurdecedor e pode ter um preço alto para o futuro de sua gestão.
