O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi abruptamente interrompido nesta segunda-feira (18), após ela sofrer um mal-estar durante as inquirições. O incidente levou à suspensão imediata dos trabalhos e ao encerramento da oitiva, que abordava um esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários.
Depoimento Interrompido e Acusações
Ingrid Santos sentiu-se mal enquanto respondia às perguntas do relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL). O presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu a sessão para que a equipe médica do Senado prestasse atendimento. A empresária deixou o local antes da conclusão de sua participação.
A empresária foi convocada após a ausência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos com ligações à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Esta entidade é investigada por supostamente beneficiar-se de mais de R$ 100 milhões provenientes de descontos indevidos em benefícios do INSS. A CPMI aponta que parte dos recursos desviados foi movimentada em contas de empresas nas quais Ingrid figurava como sócia.
O relator Alfredo Gaspar afirmou que Ingrid recebeu "mais de R$ 13 milhões, infelizmente dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil", após a retomada dos trabalhos. Contudo, a empresária, que possuía um habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin (STF) para permanecer em silêncio, declarou desconhecer os esquemas. Ela atribuiu a gestão das empresas ao marido, Cícero Santos, e expressou surpresa: "Inclusive, ele até traiu a minha confiança quando eu vi a Polícia Federal batendo na minha porta".
Desdobramentos da CPMI
Ausência de Daniel Vorcaro
O presidente Carlos Viana informou que recorrerá da decisão do ministro André Mendonça (STF), que desobrigou o banqueiro Daniel Vorcaro de depor. O ex-dono do Banco Master, em prisão domiciliar, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre irregularidades em empréstimos consignados e o papel de sua instituição em prejuízos a beneficiários do INSS.
Pedido de Prorrogação
Adicionalmente, Viana solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por, no mínimo, 60 dias. O pedido foi protocolado no Senado, aguardando a decisão do presidente Davi Alcolumbre (União-AP). Sem resposta até o momento, o presidente da CPMI cogita recorrer ao STF para garantir a continuidade da investigação, iniciada em agosto.
