domingo, 1 de março de 2026

Estudo Revela Obesidade e Inflamação Sistêmica como Ameaças Pulmonares Além do Tabagismo

Um estudo brasileiro reforça que o envelhecimento precoce dos pulmões e o risco de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) não estão associados apenas ao tabagismo. A pesquisa aponta que a…
Foto: Agência SP

Um estudo brasileiro reforça que o envelhecimento precoce dos pulmões e o risco de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) não estão associados apenas ao tabagismo. A pesquisa aponta que a obesidade e a inflamação sistêmica também desempenham um papel crucial na deterioração da função pulmonar, mesmo em indivíduos jovens.

Novas Causas de Deterioração Pulmonar

A investigação, realizada com quase 900 participantes abaixo dos 40 anos, destaca que tanto a obesidade quanto a inflamação sistêmica podem, isoladamente, levar à perda da função pulmonar. Essas condições aumentam a vulnerabilidade ao desenvolvimento da DPOC, uma doença irreversível caracterizada por inflamação e espessamento das vias aéreas, resultando em falta de ar e limitações progressivas. Embora o cigarro permaneça o principal fator de risco, os achados expandem a compreensão das causas.

Impacto Quantificado dos Fatores de Risco

Os resultados demonstram o impacto quantificável de cada fator na função pulmonar ao longo de 12 anos. O tabagismo foi associado a uma redução média de 1,95%. A inflamação sistêmica, medida pela proteína C-reativa (PCR), indicou um declínio de 0,76% na função pulmonar a cada aumento de 1 mg/dL. Já a obesidade, avaliada pelo Índice de Massa Corporal (IMC), resultou em uma perda adicional de 0,28% por cada aumento de 1 kg/m².

Metodologia e Relevância da Pesquisa

O estudo, publicado na revista BMC Pulmonary Medicine com apoio da FAPESP, incluiu 895 participantes da “Coorte de Nascimentos de Ribeirão Preto”, acompanhados desde o nascimento (1978-1979). A função pulmonar foi avaliada em dois momentos: entre os 23 e 25 anos e, posteriormente, entre os 37 e 38 anos.

Conforme Elcio Oliveira Vianna, professor da FMRP-USP e coordenador do estudo, os achados reforçam que processos metabólicos e inflamatórios sistêmicos desempenham um papel significativo na deterioração pulmonar, mesmo em indivíduos jovens sem diagnósticos respiratórios prévios. Vianna explica que a inflamação sistêmica, proveniente de outros órgãos ou, como no caso da obesidade, dos adipócitos, pode danificar os pulmões. Essa “bombardeio inflamatório constante”, mesmo de baixo grau, contribui para a lesão tecidual pulmonar e o envelhecimento precoce.

DPOC: Uma Doença Multifatorial

Embora os participantes fossem jovens para um diagnóstico típico de DPOC, os pesquisadores identificaram sinais precoces, inferindo que a obesidade e a inflamação sistêmica elevam o risco futuro da doença. Vianna enfatiza que a inflamação sistêmica tem impacto direto na função pulmonar, e o estudo populacional permitiu sua identificação antes do diagnóstico clínico.

A associação entre DPOC e obesidade é incomum, visto que pacientes com a doença frequentemente perdem peso devido ao esforço respiratório. Por isso, a demonstração de que a obesidade pode desencadear a doença é considerada um avanço importante. Para Ana Carolina Cunha, médica pneumologista e primeira autora, a pesquisa amplia a compreensão da complexidade da DPOC, mostrando que, além da inflamação pelo cigarro, existem processos inflamatórios sistêmicos próprios do indivíduo, que podem ser fatores comuns em diferentes manifestações da doença, especialmente com predisposição genética ou metabólica.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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