Seis meses após o desaparecimento e assassinato de Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, sua família compartilhou uma carta escrita pela jovem que hoje soa como um presságio. A estudante de Zootecnia da Unesp de Ilha Solteira desapareceu no dia 12 de junho de 2024, após sair da universidade. O caso resultou na prisão do namorado dela, Marcos Yuri Amorim, e de um policial ambiental da reserva, Roberto Carlos de Oliveira, ambos denunciados por feminicídio e ocultação de cadáver.
No texto escrito em 2016, Carmen descreveu a morte de forma poética, pedindo que, ao partir, não fossem deixados vestígios. Ela mencionou seu amor pelos familiares e amigos, tratando a despedida como um embarque em uma jangada para o “outro lado”. O irmão da estudante, Lucas de Oliveira Alves, destacou a habilidade da jovem com as palavras e afirmou que a família utiliza o texto como forma de homenageá-la, embora ainda enfrentem a dor da ausência e a falta de esperanças de encontrá-la viva.
A investigação policial revelou a existência de um triângulo amoroso envolvendo a vítima e os dois principais acusados. Além deles, outras três pessoas foram indiciadas ou denunciadas por participação na ocultação do corpo e fraude no processo, incluindo um vizinho de Marcos Yuri, que é considerado foragido. Segundo relatos de amigos, Carmen era discreta sobre seu relacionamento, que era visto por pessoas próximas como um assunto delicado.
Enquanto o processo judicial avança, a família se prepara para enfrentar as festas de fim de ano pela primeira vez sem a jovem. Lucas ressalta que, apesar de as feridas estarem começando a cicatrizar, a luta por justiça permanece como o principal objetivo do grupo. Eles esperam que a união familiar ajude a suportar a saudade e que o caso seja resolvido conforme a lei, trazendo as respostas que ainda restam sobre o paradeiro de Carmen.
