A família do pequeno Miguel, um menino de apenas dois anos morador de Potirendaba, vive uma corrida contra o tempo e uma batalha jurídica para garantir a sobrevivência do garoto. Miguel nasceu com uma cardiopatia congênita grave conhecida como hipoplasia do ventrículo esquerdo — condição popularmente chamada de “meio coração” —, que impede o órgão de bombear sangue corretamente para o corpo. Para continuar vivendo, ele precisa passar pela terceira e mais importante etapa de seu tratamento cirúrgico, mas o custeio do procedimento é alvo de um impasse com o plano de saúde Austa Clínicas.
A mãe de Miguel, a auxiliar de limpeza Geiza Mara Vega, descobriu a condição do filho ainda na gravidez. Diante da complexidade do caso e do risco iminente de morte, ela buscou atendimento especializado no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, que possui equipamentos de suporte de vida específicos para recém-nascidos com esse diagnóstico. Desde então, Miguel já passou por duas cirurgias cardíacas e ficou seis meses internado. Agora, prestes a completar três anos, ele atingiu a idade ideal para realizar a “Cirurgia de Fontan”, que reorganiza a circulação sanguínea para que o coração consiga trabalhar de forma eficiente.
Na Justiça, a família obteve uma sentença favorável em primeira instância, que determinou que o plano de saúde pagasse integralmente as despesas médicas e hospitalares na capital paulista. O juiz do caso baseou sua decisão em uma perícia que indicou que o tratamento em São Paulo era necessário devido às complicações severas que poderiam ocorrer em outras unidades. No entanto, o pagamento de uma dívida que já ultrapassa os R$ 700 mil ainda não foi efetuado, o que levou a família a criar uma vaquinha online por medo de que o tratamento seja interrompido.
Em nota, o plano de saúde Austa Clínicas informou que recorreu da decisão para a segunda instância e que o processo ainda não transitou em julgado. A operadora argumenta que ofereceu cobertura em um hospital de referência em São José do Rio Preto e questiona a escolha da família por uma unidade fora da rede credenciada e da área de cobertura do contrato. Apesar da disputa sobre os valores passados, o plano afirmou que autorizará a nova cirurgia de Miguel na instituição em São Paulo, cumprindo a ordem judicial vigente, mas criticou a postura da equipe médica particular em condicionar novos procedimentos ao pagamento de débitos anteriores. Enquanto o embate jurídico segue, Geiza mantém o foco na saúde do filho, contando com o apoio da comunidade para garantir que Miguel tenha a chance de completar seu tratamento.
