Uma denúncia de preconceito marcou a abertura do Carnaval em São José do Rio Preto na última sexta-feira (13). A foliã Renata Quintino Zequini, uma mulher trans de 38 anos, relatou ter sido alvo de transfobia por parte da equipe de segurança durante o “CarnaVirou”, evento realizado no Recinto de Exposições com apoio da prefeitura. Segundo Renata, funcionários tentaram impedir seu acesso ao banheiro feminino, alegando que o local seria restrito a mulheres cisgênero.
O constrangimento teria começado logo na entrada, quando Renata foi orientada a passar pela revista na fila masculina, conseguindo acesso à fila feminina apenas após insistir com os fiscais. Mais tarde, ao tentar usar o banheiro, ela afirma ter sido abordada por uma segurança que exigiu a apresentação de documentos. Mesmo após mostrar sua identificação, a entrada teria sido negada. Renata relatou que decidiu entrar na cabine assim mesmo e, enquanto estava lá dentro, ouviu frases de deboche vindas de fora. Temendo por sua segurança, ela iniciou uma transmissão ao vivo em suas redes sociais para registrar o ocorrido.
Durante a gravação, um segurança afirmou que estava seguindo orientações superiores e que o uso do banheiro seria condicionado ao gênero que consta no documento de identidade. Renata, que possui nome de batismo no registro, contestou a afirmação reforçando que a legislação garante o direito de mulheres trans utilizarem o banheiro correspondente à sua identidade de gênero. Na ocasião, o funcionário chegou a mencionar que as ordens teriam partido de forças policiais, o que foi negado pelas instituições posteriormente.
Em nota, a Guarda Civil Municipal (GCM) negou categoricamente ter dado qualquer orientação para restringir o acesso de mulheres trans aos banheiros. A Prefeitura de Rio Preto, responsável pelo evento que recebeu um investimento de R$ 6 milhões, informou que determinou a apuração imediata do caso e reforçou as diretrizes de conduta junto às equipes terceirizadas, reafirmando que não tolera qualquer forma de discriminação. Renata, embora abalada pelo episódio, destacou que recebeu apoio da comunidade LGBTQIA+ e que continuará denunciando situações de preconceito para que o direito à dignidade seja respeitado em espaços públicos.
