quarta, 11 de março de 2026

Hong Kong ensaia diálogo com manifestantes; protestos encolhem

Os protestos pró-democracia em Hong Kong encolheram nesta segunda (6), enquanto o governo e a Federação de Estudantes de Hong Kong ensaiavam negociar uma saída para o impasse, que entrou…

Os protestos pró-democracia em Hong Kong encolheram nesta segunda (6), enquanto o governo e a Federação de Estudantes de Hong Kong ensaiavam negociar uma saída para o impasse, que entrou em sua segunda semana.

Centenas de pessoas ainda ocupavam partes centrais de Hong Kong horas depois do ultimato dado pelo governo para que desbloqueassem as ruas.

O número de manifestantes era bem menor que nos últimos dias, mas os ativistas atribuíram a diluição a um “recuo tático” e prometeram manter o protesto até que suas exigências sejam atendidas.

Concentrado em torno da sede do governo local, o movimento de ocupação das ruas é um protesto à decisão do Partido Comunista chinês de impor restrições à eleição do próximo chefe do Executivo de Hong Kong, em 2017.

RETIRADA
Exaustos, depois de dez dias acampados nas ruas e sob a ameaça de uma ação severa da polícia, muitos manifestantes se retiraram, diluindo um protesto que chegou a reunir quase 100 mil nos dias mais concorridos.

Embora os estudantes finalmente tenham iniciado os contatos com o governo, uma solução ainda parece distante. Sobretudo porque poucos acreditam que o governo chinês concordará em rever as regras da eleição de 2017.

Lester Shum, número dois da Federação de Estudantes de Hong Kong, disse que os dois lados tentavam ainda estabelecer os termos da negociação, sem esconder a suspeita entre os ativistas de que o governo só tenta ganhar tempo.

“Queremos chegar a um consenso sobre as conversas antes de avançar”, disse Shum. “Não queremos que isso vire uma mera consulta ou bate-papo.”

OCUPAÇÃO
Ainda que em número menor, os manifestantes que mantêm a ocupação das ruas se mostram determinados a não ceder. Amparado por alguns jovens, o ambientalista Benny Mok, 51, completava o quinto dia em greve de fome, sentado numa cadeira dobrável em frente à sede do governo.

“Quero mostrar àqueles que nos acusam de perturbar a ordem pública que nós estamos fazendo um enorme sacrifício pessoal”, disse Mok à reportagem.

O movimento que capturou a imaginação do mundo está longe de ser uma unanimidade em casa. Muitos residentes de Hong Kong estão visivelmente incomodados com os transtornos causados pelo bloqueio de ruas e reclamam de prejuízos à economia e à imagem de Hong Kong como centro de negócios.

“Eu também apoio a democracia, claro. Mas esses protestos causam mais danos que benefícios e está claro que não vão levar a lugar nenhum”, diz Liz, 36, diretora de uma fábrica na cidade vizinha de Shenzhen, na China continental.

AMEAÇA
Nesta segunda-feira, os funcionários públicos puderam entrar normalmente na sede do governo, depois que os estudantes cumpriram a promessa de retirar as barricadas da entrada do prédio. No fim da noite, raros eram os estudantes que ainda permaneciam acampados no local, uma cena bem diferente do mar de gente dos últimos dias.

Ainda que a ameaça de uma ação policial mais dura ainda paire no ar, o governo parece ter adotado uma tática paciente, confiando em vencer os manifestantes pelo cansaço.

Principalmente depois do fracasso da repressão do dia 28, quando a polícia usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta tentando liberar as ruas e desatou cenas de confronto que acabaram atraindo mais simpatia doméstica e internacional para o movimento.

“Quanto mais a população de Hong Kong for reprimida, maior será a resistência”, disse o líder estudantil Joshua Wong, 17, que se tornou uma das faces mais proeminente dos protestos.

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