domingo, 1 de março de 2026

Assassinato de jornalistas atinge recorde em 2025; Israel responsável por dois terços das mortes

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado em Nova York, revelou que 129 profissionais de imprensa foram mortos no exercício da profissão…
Foto: © Hatem Khaled/Reuters/proibida reprodução

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado em Nova York, revelou que 129 profissionais de imprensa foram mortos no exercício da profissão em 2025. Este é o maior número de mortes documentado pela organização em mais de três décadas, com dois terços (86) destas fatalidades atribuídas às Forças de Defesa de Israel.

Conflitos e Cenários de Risco

A maioria dos assassinatos (104) ocorreu durante conflitos armados, que o CPJ aponta terem atingido níveis históricos globalmente. Cinco países concentram 84% das mortes: Israel (86), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). A maioria esmagadora das vítimas eram jornalistas palestinos.

Impunidade e o Direito Internacional

O CPJ aponta a impunidade como um dos principais fatores para a escalada dos assassinatos, criticando a falta de investigações transparentes e a falha de líderes governamentais em proteger a imprensa e responsabilizar agressores. A presidente Jodie Ginsberg destacou que ataques à imprensa são indicadores de ameaças a outras liberdades, enfatizando a importância do acesso à informação. O relatório reitera que o assassinato de jornalistas viola o direito internacional humanitário, que os considera civis e não alvos deliberados.

Vítimas da Violência em Gaza

Entre os casos destacados, está o do correspondente palestino Hossam Shabat, de 23 anos, da Al Jazeera, morto em março de 2025 em um ataque israelense a seu carro no Norte de Gaza. Israel o acusou, sem provas, de ser um atirador do Hamas. Outro jornalista da Al Jazeera, Anas al-Sharif, que havia alertado sobre ameaças infundadas de Israel, foi assassinado em agosto de 2025, junto a outros profissionais, em um ataque a uma tenda perto do Hospital Al-Shifa.

Fatores Adicionais e Tendências

Além dos conflitos, o CPJ cita o enfraquecimento do estado de direito, a atuação de facções criminosas e líderes políticos corruptos como contribuintes para mortes em países como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita. Mortes recorrentes foram notadas no México e Índia nos últimos 10 anos, e em Bangladesh, Colômbia e Israel nos últimos cinco.

Ameaça dos Drones

Um aumento alarmante no uso de drones contra jornalistas foi registrado, com 39 óbitos em 2025, contra apenas duas em 2023. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, drones têm sido empregados em ataques e vigilância. Em 2025, a Rússia intensificou seu uso de drones na Ucrânia, resultando na morte dos quatro jornalistas ucranianos atingidos por esses dispositivos russos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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