O Ministério Público (MP) de São Paulo ofereceu denúncia criminal, na tarde desta quinta-feira (13), contra o juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, de 61 anos, e a mulher que o acompanhava na caminhonete. Eles são acusados de homicídio doloso com recurso que dificultou a defesa da vítima pela morte da ciclista Thais Bonatti, de 30 anos, em 24 de julho, em Araçatuba (SP).
A denúncia, apresentada pelo promotor de justiça Adelmo Pinho, sustenta que o juiz e a acompanhante assumiram o risco de causar a morte da ciclista. O juiz havia permanecido por cerca de dez horas em uma boate, consumindo bebida alcoólica, e ingeriu um medicamento para depressão, o que potencializou o efeito do álcool.
Imprudências Antes do Atropelamento
O MP ressalta que a culpa se torna mais evidente pelas imprudências cometidas. O juiz dirigia na contramão quando atingiu Thais, que seguia para o trabalho. Pouco antes, testemunhas e vídeos indicam que os dois tentaram manter relação sexual dentro do veículo em movimento.
Imagens de câmeras de segurança mostraram que o juiz cometeu outras imprudências ao sair da boate, quase atingindo outro ciclista. Momentos antes do atropelamento fatal, a caminhonete parou por alguns segundos na contramão e, segundo testemunhas, a mulher sentou no colo do juiz.
Imagens registradas logo após mostram a caminhonete acelerando e passando por cima da bicicleta. A perícia apontou que não havia sinais de frenagem no local, indicando que o juiz não tentou frear antes do impacto.
Justiça e Família da Vítima
No processo, o promotor destacou que, por ser conhecedor das leis, o juiz “agiu, assim, como um descivilizado”. Agora, cabe à Justiça analisar se aceita a denúncia oferecida pelo Ministério Público.
Thais Bonatti, que era auxiliar de cozinha e trabalhava em mais de um emprego para ajudar nas despesas de casa e realizar seus sonhos, ficou internada em estado grave na Santa Casa de Araçatuba, mas não resistiu aos graves ferimentos após duas cirurgias, morrendo no dia 26 de julho. A família da ciclista clama por justiça.
A defesa da mulher denunciada informou que ainda não foi intimada, mas trabalhará para demonstrar que a situação não condiz com os fatos.
