domingo, 1 de março de 2026

Inicia julgamento de acusados pela morte de Mãe Bernadete; filho espera pena máxima

O ativista Jurandir Pacífico, filho da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, acompanha nesta terça-feira (24), em Salvador (BA), o início do julgamento de dois dos cinco acusados pelo assassinato de…
Foto: © Arte sobre foto de Walisson Braga/Conaq

O ativista Jurandir Pacífico, filho da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, acompanha nesta terça-feira (24), em Salvador (BA), o início do julgamento de dois dos cinco acusados pelo assassinato de sua mãe, ocorrido em agosto de 2023. Com a expectativa de pena máxima para os réus, Jurandir expressa o desejo de que “se comece a se fazer justiça para esse assassinato bárbaro”, destacando a atuação de sua mãe, de 72 anos, em defesa dos direitos humanos.

Detalhes do Julgamento e Acusados

O processo, que ganhou repercussão internacional, ocorre no Fórum Ruy Barbosa, com um júri popular composto por sete pessoas, e tem previsão de encerramento na quarta-feira (25). Um dos réus, Arielson da Conceição Santos, é réu confesso e é apontado como executor do crime. O outro acusado, Marílio dos Santos, está foragido e é tido como mandante e chefe do tráfico de drogas na localidade.

Ambos respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma restrita. Arielson também enfrenta a acusação de roubo. Outros três denunciados, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, serão julgados em etapas posteriores.

O Crime e sua Motivação

Mãe Bernadete foi brutalmente assassinada com 25 tiros dentro de sua residência, na comunidade quilombola de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA). No momento do ataque, três de seus netos, com idades entre 12 e 18 anos, estavam na casa e foram isolados pelos criminosos em um quarto. Jurandir descreve a dor de “ver o cara que tirou a vida de sua mãe” e ressalta a dedicação dela “em prol dos povos tradicionais, das mulheres, da cultura e dos saberes ancestrais”.

As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia indicam que a execução foi motivada pela oposição de Mãe Bernadete à expansão do tráfico de drogas no Quilombo e pela sua determinação em remover uma barraca pertencente a Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, utilizada para o comércio de entorpecentes.

Provas Robustas e Luta pela Pena Máxima

O advogado criminalista Hédio Silva Jr., representante da família na acusação, enfatiza a robustez das provas materiais. Ele menciona evidências encontradas pós-crime, rastreamento de mensagens e interceptações telefônicas, atestando a qualidade das perícias realizadas. Os autos do processo somam mais de 2,5 mil páginas.

A defesa da acusação argumenta que o crime é quadruplamente qualificado, podendo resultar em condenações de mais de 35 anos de prisão para os réus, e afirma que solicitará a pena máxima. Cinco testemunhas de acusação devem depor, enquanto a Defensoria Pública local, responsável pela defesa, indicou três testemunhas. Advogados particulares previamente envolvidos no caso renunciaram à defesa.

Contexto de Violência e Proteção à Família

Hédio Silva Jr. destaca a importância do julgamento para a busca de justiça por Mãe Bernadete e por outras lideranças quilombolas assassinadas, visando desencorajar novos crimes contra populações tradicionais. Segundo relatório da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq), 46 líderes quilombolas foram assassinados em 13 estados brasileiros entre janeiro de 2019 e julho de 2024.

A família de Mãe Bernadete já havia sido vítima de violência em 2017, com o assassinato de Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, caso ainda sem prisões. Atualmente, Jurandir e seu neto Wellington Pacífico vivem sob medida do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), contando com escolta permanente.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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