quarta, 11 de março de 2026

Justiça do DF bloqueia ações do BRB de investigados em caso Banco Master

A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) avaliadas em cerca de R$ 376,4 milhões. A medida, solicitada pelo próprio…
Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil

A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) avaliadas em cerca de R$ 376,4 milhões. A medida, solicitada pelo próprio BRB em caráter liminar, visa participações acionárias de investigados na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, impedindo a alienação dos ativos.

Decisão Judicial e Alvos do Bloqueio

Concedida pela 13ª Vara Cível do DF, a decisão, apesar de tramitar sob sigilo, foi comunicada pelo BRB por meio de um fato relevante. O bloqueio incide sobre ações vinculadas a pessoas físicas e diversos fundos de investimento, como Deneb, Borneo, Siracusa, Delta e Asterope, além de empresas como Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.

Entre os indivíduos impactados pela medida estão Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; Maurício Quadrado, ex-sócio; o investidor Nelson Tanure; e João Carlos Mansur, fundador da Reag. Investigações apontam que este grupo teria adquirido cerca de 25% do capital social do BRB por meio de terceiros, supostamente “laranjas”.

Apuração Interna e Repercussões

O BRB ajuizou a tutela cautelar com o objetivo de possibilitar o futuro ressarcimento de prejuízos decorrentes de operações com o Banco Master, que se encontra em liquidação extrajudicial. A instituição alega que os empresários investigados teriam ingressado no capital social de forma ilegal.

Prejuízo Estimado e Investigação Federal

Investigações preliminares indicam que o BRB adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master com indícios de fraude, estimando um prejuízo inicial de, no mínimo, R$ 5 bilhões. O valor exato deverá ser detalhado com a divulgação do balanço prevista para março. O BRB também encaminhou à Polícia Federal um relatório preliminar de sua apuração interna, conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio da consultoria Kroll. A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, já resultou no afastamento e posterior demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Histórico da Operação e Rejeição do BC

A operação de compra do Banco Master pelo BRB, que previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master, foi oficialmente rejeitada pelo Banco Central (BC) em 3 de setembro de 2025. O negócio, anunciado em março do mesmo ano, já enfrentava resistência no mercado devido a modelos de captação considerados arriscados e à questionável qualidade dos ativos da instituição.

O Ministério Público Federal (MPF) havia recomendado previamente ao BRB que comprovasse a lisura e fidedignidade dos ativos antes de qualquer aquisição, alertando para possíveis passivos ocultos e ativos inflacionados. Com a rejeição do BC e o avanço das apurações, o BRB agora busca recompor sua liquidez e seus índices de capitalização, além de tentar assegurar o eventual ressarcimento judicial dos prejuízos sofridos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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