O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29) que “vai mostrar a cara” de quem está no crime organizado, se referindo à megaoperação que ocorreu nesta quinta-feira (28), com o objetivo de desarticular um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis, comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC)
“A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país e o ex-presidente [Jair Bolsonaro] que tome cuidado”, afirmou Lula.
Lula foi questionado sobre a relação da direita com as fintechs — empresas que usam tecnologia para oferecer serviços financeiros. Essas empresas estão na mira da Receita Federal após a megaoperação e vão ter que seguir, a partir de agora, as mesmas regra dos bancos.
Nesta quinta, o governo publicou uma instrução normativa sobre o tema no Diário Oficial da União (DOU).
Lula voltou a fazer críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos. “Se ele cometeu o crime, ele vai ser punido. A vida continua. A justiça deve valer justamente para todos”, mencionou o presidente.
“Ele [Eduardo] não vai poder exercer o mandato, já falei com [Hugo] Motta e outros deputados. É extremamente necessário cassar o mandato porque ele vai se provar o maior traidor da história do país. As acusações que o [Donald] Trump fez são todas inverídicas”, prosseguiu.
O presidente reafirmou que está aberto ao diálogo com o governo dos Estados Unidos, mas que, até o momento, não recebeu qualquer retorno.
E que as medidas de reciprocidade que estão sendo estudadas são fruto de uma primeira tentativa de abertura desse diálogo.
“É um processo demorado. Temos que andar o processo. Se for tentar andar na forma que todas as leis exigem, demora um ano. Então, temos que começar. Temos que dizer aos Estados Unidos que também temos coisas a fazer contra os EUA”, argumentou.
Sobre ligar para Trump, Lula reforçou que não ligou e que não acredita ser necessário já que a equipe dele não conseguiu retorno do governo norte-americano.
“O que é importante é Trump compreender que o Brasil tem Constituição e legislação e que todas as empresas que estão no Brasil estão sujeitas à legislação brasileira”, afirmou.
Nesse contexto, o petista reafirmou o objetivo de regular as “big techs” — como são chamadas as gigantes da tecnaologia como Google, Apple, Facebook e Amazon.
“Nós vamos regular as big techs. Vamos fazer uma regulação. Até semana que vem, vamos dar entrada no Senado para regular”, pontuou.
Nesta semana, o governo concluiu reuniões, e deve apresentar nos próximos duas propostas ao Congresso sobre o tema.
As declarações do presidente foram dadas, em Belo Horizonte, à Rádio Itatiaia.
