As buscas pelo corpo de Carmen de Oliveira Alves, estudante de zootecnia de 26 anos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ganharam um importante reforço neste sábado (19). A Marinha do Brasil e profissionais da própria Unesp se juntaram aos trabalhos em Ilha Solteira. Carmen está desaparecida desde 12 de junho, e o caso é investigado como feminicídio.
A investigação aponta que o namorado da estudante, Marcos Yuri Amorim, e o policial militar ambiental da reserva, Roberto Carlos de Oliveira, são os responsáveis pelo assassinato. Ambos foram presos, e a polícia encontrou ossos queimados na propriedade de Marcos Yuri, que foram encaminhados para análise de DNA nesta quarta-feira (16).
Reforço nas Buscas
Com o uso de uma moto aquática, militares da Marinha iniciaram uma varredura no Rio São José dos Dourados, próximo ao sítio onde reside o namorado da jovem. A localização foi indicada pelo delegado responsável pelo caso, Miguel Rocha, com base na movimentação dos investigados.
Além da Marinha, profissionais da Unesp auxiliam nas buscas com um equipamento que utiliza ondas eletromagnéticas para mapear o solo. O foco está em uma área da propriedade com terra revirada e grama recém-plantada. Essa mesma região já havia sido alvo de buscas com sonar e drones por parte da Guarda Municipal e do Corpo de Bombeiros, que contaram com o apoio de pescadores.
Desaparecimento e Indícios da Investigação
Segundo o boletim de ocorrência, Carmen foi vista pela última vez próximo a um ginásio da Unesp, após fazer uma prova do curso. A mãe da estudante relatou à polícia que Carmen saiu de casa na noite de 11 de junho com uma bicicleta elétrica preta, que não foi encontrada. O último sinal do celular da jovem foi captado próximo ao rio da cidade.
Buscas anteriores em áreas de mata próximas à universidade encontraram marcas de pneus compatíveis com os da bicicleta. A família mobilizou amigos e a comunidade em manifestações e ações de procura, já que a jovem nunca havia desaparecido antes.
Dois dias antes de o desaparecimento completar um mês, a polícia prendeu Marcos Yuri Amorim e Roberto Carlos de Oliveira. A investigação indicou que Carmen esteve na casa de Marcos Yuri, em um assentamento, e não foi mais vista. Câmeras de segurança confirmaram que ela entrou no local, mas não saiu. O delegado Miguel Rocha também confirmou que Roberto Carlos mantinha um relacionamento afetivo e financeiro com Yuri.
Ambos foram presos temporariamente em 10 de julho e seguem detidos em unidades prisionais diferentes.
Motivação e Dossiê
A investigação apontou que Carmen havia pressionado Yuri para assumir o relacionamento e descoberto que ele praticava furtos. Segundo o delegado, esses fatores teriam motivado o assassinato.
No computador da vítima, a polícia conseguiu recuperar um dossiê com informações sobre os supostos crimes cometidos por Yuri. O documento havia sido apagado em 12 de junho, data em que a polícia acredita que o feminicídio ocorreu.
Embora a polícia suspeite inicialmente que os restos de ossos queimados encontrados na propriedade de Yuri sejam de animais, nenhuma hipótese é descartada até a conclusão da análise de DNA.
O caso segue em investigação, com novas frentes de busca sendo abertas nos locais indicados pelas provas colhidas. A defesa de Roberto Carlos afirmou que o investigado provará sua inocência, enquanto o advogado de Marcos Yuri não foi localizado.
