O Ministério Público se posicionou recentemente pelo arquivamento do inquérito que investigava o ex-bispo da Diocese de Catanduva, Dom Valdir Mamede, por suspeita de crimes sexuais. Embora o ex-religioso tenha admitido, em depoimento, a manutenção de relações íntimas com um padre e seminaristas durante sua gestão (2019–2023), o órgão entendeu que não há evidências suficientes de coerção ou violência para sustentar uma denúncia criminal.
Detalhes do Caso e Depoimentos
A investigação teve início após a denúncia de um padre que relatou ter se sentido pressionado a manter relações com o bispo devido à forte hierarquia espiritual e institucional.
- Admissão de Dom Valdir: O ex-bispo confirmou os episódios íntimos, mas alegou que todos ocorreram de forma consensual, negando qualquer abuso de autoridade.
- Provas Materiais: Um laudo pericial confirmou a presença de sêmen humano em material entregue pelo denunciante. Contudo, o MP argumentou que a existência do material genético, por si só, não comprova a ausência de consentimento.
- Estado da Vítima: O denunciante apresentou laudos médicos que indicam quadros de depressão e transtorno de estresse pós-traumático decorrentes dos fatos relatados.
Decisão e Desdobramentos
Para o Ministério Público, as provas apresentadas até o momento não demonstram “violência, ameaça ou grave constrangimento”. Por essa razão, o órgão optou pelo arquivamento, ressaltando que o caso pode ser reaberto se novas provas surgirem.
Dom Valdir Mamede deixou o comando da Diocese de Catanduva em 2023, após o Papa Francisco aceitar sua renúncia. O caso continua a gerar repercussão na comunidade católica da região, que acompanha os desdobramentos das decisões judiciais.
