Todos sabiam que este dia estava próximo. E nesta terça-feira (1º) o peso-pesado Rodrigo ‘Minotauro’ anunciou emocionado sua aposentadoria do MMA com sensação de dever cumprido. Aos 39 anos e com 46 combates nas costas, o baiano deu adeus ao esporte que o consagrou durante coletiva de imprensa realizada na cidade do Rio de Janeiro.
Antes mesmo de chegar ao evento, com o seu já conhecido atraso, uma nota oficial foi entregue aos jornalistas presentes para anunciar que, após perder três confrontos em sequência no octógono, o veterano se despedia oficialmente dos cages para assumir um novo cargo no UFC.
De luvas penduradas, caberá a Minotauro ser o novo ‘Embaixador de Relacionamento de Atletas do UFC Brasil’, função que ele passa a exercer a partir desta data, conforme anúncio que contou com a presença de Giovani Decker, presidente do evento no País.
Anúncio oficial
Após breve introdução oficial de Giovani, que ressaltou os feitos do baiano nos cages entre passagens que lhe renderam os cinturões do UFC (interino), Pride, Rings e WEF, o peso-pesado pediu a palavra pra agradecer o reconhecimento da organização após o final de sua caminhada como atleta profissional.
“Me tornei lutador por causa do UFC, então é uma honra mudar de lado e trabalhar com os Fertitta e Dana White. […] Conquistei muito mais títulos e vitórias no Japão, mas me tornei lutador por causado UFC, então faz parte da minha história. Fiz lutas históricas aqui, como contra o Tim Sylvia e a minha primeira no Brasil”, afirmou, antes de adiantar mais detalhes sobre seu novo cargo e relatar dores no corpo que o convenceram a parar.
“Eu vi três gerações lutarem e pararem. Em 2008, meu corpo reclamou e no ano seguinte identificamos que era no meu quadril. Fiz cirurgias e ainda faço fisioterapia diariamente, sinto que meu corpo reclama e que não conseguia ter o total desempenho físico que teria. Foram anos de batalha”.
Legado
Não é segredo que grande parte dos trunfos conquistados pelo Brasil no esporte foi conquistada, direta ou indiretamente, através das mãos de Rodrigo. Dono da franquia Team Nogueira, o peso-pesado acompanha de perto treino de feras do calibre de Anderson Silva, Rafael ‘Feijão’, Erick Silva, Rousimar ‘Toquinho’, entre outros.
“Vou assumir uma função no UFC que eu faço faz muito tempo. Eu tenho uma visão para novos talentos, assim como foi com o Anderson, Cigano, Erick Silva… Tem muita coisa para fazer nessa função, vou deixar de olhar para mim e olhar mais para os novos talentos”, garantiu o veterano.
Conflito de interesses
Por ocupar um cargo na maior organização de MMA do mundo e representar a maior rede de academias do País, Rodrigo foi questionado sobre um possível conflito de interesses ao ter o poder de apontar novos nomes que, além de representarem o futuro do esporte no País, representariam o nome de seu time. Cenário este que será lidado com profissionalismo, como ele fez questão de ressaltar.
“Vou me afastar e trabalhar mais do lado de cá. No momento, tenho que pensar no UFC. Temos talentos, mas o cartel não vai mentir. […] O critério do cartel e qualidade é que vão pesar, o Giovani e o Joe Silva são muito criteriosos, e isso é o que vai valer. O UFC é que vai escolher, eu vou apenas indicar”.
Marca registrada
Segurando a emoção o quanto pôde, Rodrigo foi pego de surpresa ao ser questionado de que forma gostaria que sua carreira fosse lembrada pelas novas gerações. E, lembrando até mesmo já de forma saudosista das conquistas e histórias carregadas em mais de 15 anos de dedicação ao MMA, ele não exitou em apontar sua marca registrada: a superação.
“O espirito de não desistir, de dar a volta por cima, passar por cima de lesões… Fui treinador do TUF algumas vezes e sempre procurei dar essa conversa aos mais jovens… […] Assim quero ser lembrado, como alguém que nunca desistiu, mesmo nas situações mais extremas”, garantiu, já com a voz embargada.
Engasgado no pescoço
Curiosamente, os quatro cinturões mundiais, os mais de 15 anos de dedicação ao MMA, a rede de academias de sucesso, o novo cargo e as três temporadas em que liderou o reality show do UFC não foram o suficiente para Rodrigo. Sem esconder o desejo que lhe perseguiu até os últimos dias da carreira como atleta profissional, Minotauro relembrou que faltou mesmo uma vitória sobre Frank Mir.
“É uma luta que eu gostaria de ter feito antes de encerrar a minha carreira. Fiz um camp agora, estava mito bem, mas senti que faltou um pouco mais, principalmente na parte física. Vi que era uma boa hora para parar. Queria sari com a vitória, mas isso não era o mais importante”, garantiu, lembrando do rival Mir que o venceu em duas oportunidades, se tornando o primeiro homem a nocauteá-lo e o primeiro a finalizá-lo no MMA.
