Em um cenário global de busca por equidade de gênero, as mulheres consolidam sua presença na pesquisa científica da Unesp. Um levantamento do Escritório de Gestão de Dados (EGD) revela que pesquisadoras são maioria na pós-graduação e lideram grande parte dos grupos de pesquisa da universidade, destacando o papel essencial feminino no avanço do conhecimento.
Avanço Feminino na Academia Unespiana
Dados atuais apontam que mulheres ocupam 52,8% das vagas de graduação e 54,7% das vagas de pós-graduação na Unesp. Relatórios do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) indicam um crescimento contínuo da participação feminina na pesquisa universitária nos últimos cinco anos, apesar de ainda serem minoria no quadro geral.
Liderança e Produção Científica
A liderança em grupos de pesquisa é particularmente notável: dos 1.296 grupos sediados na Unesp e registrados junto ao CNPq para 2025, 831, equivalente a 64%, são chefiados por mulheres. Além disso, o CWTS Leiden Ranking mostra um aumento nas pesquisas assinadas por mulheres em ciências físicas e engenharia entre 2006 e 2023. Em todas as análises, elas foram maioria em estudos relacionados a ciências biomédicas e saúde.
O Desafio da Projeção Científica
A bióloga Patrícia Morellato exemplifica essa liderança, sendo a diretora do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) CBioClima, o primeiro da Unesp a ser chefiado por uma mulher. Com foco em biodiversidade tropical e mudanças climáticas, o centro, ligado ao Instituto de Biociências de Rio Claro, conta com 56,3% de mulheres entre bolsistas e estagiárias, uma proporção que a pesquisadora descreve como estimulada e interessante.
Reflexões sobre Paridade e Reconhecimento
Contudo, Morellato ressalta que a paridade de gênero ainda não é uma realidade entre os pesquisadores principais do programa, atribuindo a discrepância a pressões externas e sobrecarga de trabalho. Em sua própria trajetória, a cientista enfrentou obstáculos como preconceito e competitividade, percebendo uma diferença no reconhecimento de suas contribuições. Ela relata que, enquanto colegas homens recebiam coautoria por consultas científicas, sua participação nem sempre era valorizada da mesma forma, levando-a a restringir contatos para proteger seu trabalho.
