A autonomia financeira figura como a principal prioridade para as mulheres, conforme revelado pela pesquisa “Mulheres e Mercado de Trabalho”. O levantamento destaca que o cenário profissional permanece marcado por desigualdades, discriminação e violência enfrentadas por elas. Realizada pela Consultoria Maya, em parceria com a plataforma Koru, a pesquisa ouviu 180 mulheres de diversos perfis etários e etnorraciais.
A Busca pela Independência Econômica
A independência financeira foi apontada como prioridade por 37,3% das entrevistadas. Em seguida, surgem a saúde mental e física (31%) e a realização profissional, enquanto relacionamentos amorosos não são meta para a maioria. Paola Carvalho, diretora da Consultoria Maya, enfatiza que a autonomia transcende o poder de compra, significando "ter poder de decisão" e sendo uma "condição para a liberdade de escolha", possibilitando, por exemplo, a saída de relações abusivas.
Desafios e Discriminação Profissional
O acesso e a ascensão feminina no mercado de trabalho são frequentemente barrados por obstáculos culturais, apesar de muitas apresentarem melhor formação. A pesquisa identificou que 2,3% das mulheres relatam terem sido preteridas em promoções, notadamente devido à maternidade. Uma entrevistada afirmou: "Primeiro [vêm] os homens, claro, depois, mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos."
Violência Psicológica e Desigualdade de Cargos
Mais de 70% das participantes relataram ter sofrido violência psicológica, que inclui comentários sexistas, desvalorização por gênero, interrupções em reuniões, apropriação de ideias e questionamentos sobre competência técnica. Experiências como ter a capacidade profissional questionada ou ser solicitada a consultar o cônjuge sobre decisões de carreira foram mencionadas. Essas adversidades levam muitas a considerar desistir, evidenciando que a permanência no trabalho ocorre "apesar das adversidades", não por equidade. A representação feminina diminui drasticamente em posições estratégicas; apenas 5,6% alcançam cargos de diretoria ou C-levels, enquanto a maioria atua em funções operacionais e intermediárias.
Rumo à Equidade: Ações Necessárias
Paola Carvalho analisa que a baixa representação em cargos estratégicos "revela uma estrutura sexista". Para reverter esse quadro, a consultora propõe um compromisso generalizado – do estagiário ao CEO – com novas atitudes e uma visão transformadora. Ela ressalta a urgência de "ter um olhar diferente para essas questões", através de ações individuais e institucionais, considerando os resultados "chocantes" em pleno 2026.
