segunda, 9 de março de 2026

Mulheres protestam em SP por fim da violência e da escala 6×1 no Dia Internacional da Mulher

Milhares de mulheres marcharam em São Paulo no Dia Internacional da Mulher, 8 de março, apesar da chuva. O ato, que se estendeu da Avenida Paulista à Praça Roosevelt, teve…
Foto: © Elaine Patrícia Cruz/ABr

Milhares de mulheres marcharam em São Paulo no Dia Internacional da Mulher, 8 de março, apesar da chuva. O ato, que se estendeu da Avenida Paulista à Praça Roosevelt, teve como pautas centrais o fim da violência contra a mulher e a defesa da redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1. Manifestações semelhantes ocorreram em diversas cidades brasileiras.

Enfrentamento à Violência de Gênero

A principal demanda do movimento foi o combate efetivo ao feminicídio e à violência contra a mulher. Alice Ferreira, coordenadora do Levante Mulheres Vivas, criticou a insuficiência de pactos e notas de apoio das esferas governamentais, enfatizando a urgência de orçamento público e medidas concretas. Ela ressaltou a importância da aprovação de um projeto de lei para tipificar a misoginia como crime, destacando que essa medida é um passo crucial para reverter a lógica de impulsionamento de discursos misóginos online, como os da 'red pill', enquanto o feminista é boicotado.

Intervenções Simbólicas e Estatísticas

Durante o protesto, foram realizadas intervenções artísticas. Sapatos femininos dispostos na Avenida Paulista representavam as vítimas de feminicídio no país. Outra instalação, com bonecas em frente ao Fórum Pedro Lessa, alertava para o sofrimento de crianças expostas à misoginia, mencionando o escândalo da quase legalização da pedofilia no judiciário, em referência a um caso de absolvição de estupro em Minas Gerais. No estado de São Paulo, 270 mulheres foram mortas em 2025, um número recorde de feminicídios desde o início da série histórica em 2018, representando um aumento de 96,4% em comparação com 2021.

Por uma Jornada de Trabalho Justa

Além do fim da violência, as manifestantes também clamaram pelo fim da escala de trabalho 6×1, pela erradicação da violência política e pelo combate ao extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas. Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, defendeu a essencialidade da redução da jornada e do fim da escala 6×1 para as mulheres, muitas delas chefes de família. Ela argumentou que a mulher frequentemente enfrenta uma 'escala 7 por 0', e a mudança proporcionaria descanso, autocuidado e autonomia, sendo um tema de pauta permanente para a defesa da vida feminina, que exige políticas públicas sólidas e independentes de governos.

Ampla Mobilização Social

O ato, denominado 'Em Defesa da Vida das Mulheres', contou com a participação de diversos movimentos sociais e sindicais. Entre eles, destacam-se a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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