Em conversa com colegas de confinamento na tarde da última quarta-feira, 23, a participante do BBB 22 Lina Pereira dos Santos, também conhecida como Linn da Quebrada, afirmou que Rio Preto é uma cidade racista. Ela também reforçou que já havia dito isso “várias vezes”.
A integrante do reality da TV Globo, que morou por muitos anos em Rio Preto, tendo passado um período também em Votuporanga, trouxe a declaração à tona ao relatar uma situação vivida na cidade quando ainda era adolescente.
Lina contava a Jessilane, Eli e Nathalia sobre uma vez em que foi a um local que frequentava para encontros. “Um monte de gente se olhando, bebendo, conversando e aí fica lá, rola aquele negócio…”, detalhou a sister gesticulando. Em seguida, Jessilane constatou que se tratava um local de “pegação”.
Ao citar que não tinha ficado com ninguém naquele dia, a cantora e atriz explicou que sempre foi “mais fraca de fisionomia”, segundo ela. “E também por ser mais moreninha, Rio Preto é uma cidade racista, já falei isso aqui várias vezes”, disse.
Racismo estético
Para o presidente do Conselho Municipal Afro e dirigente da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) de Rio Preto, Darok Viana, o relato de Lina reflete “a realidade e sentimento de muitos adolescentes nas cidades do interior paulista, onde o padrão de beleza europeu é supervalorizado em detrimento a outros fenótipos, principalmente aos traços negros”.
“Esse tipo de racismo, o estético, passa facilmente despercebido por pessoas socialmente não racializadas, sendo velado sob o pretexto da atração involuntária, mas os motivos são muito mais profundos e envolve um processo político e cultural de desqualificação da beleza negra”, explicou Viana, que é também webdesigner e funcionário público.
De acordo com ele, o racismo estético também se perpetua em nosso vocabulário, através de termos como “cabelo bom” e “cabelo ruim”, sendo exemplos dessa “relação de vantagem social”.
Outro motivo pelo qual o presidente do Conselho também afirmou concordar com Lina é, de acordo com ele, a dificuldade que projetos, políticas públicas e, até mesmo, o diálogo a respeito da superação das desigualdades e o racismo enfrentam aqui e na maioria das cidades do interior.
“Com a forte e constante inferiorização dos corpos negros, mesmo reconhecendo a existência do racismo, as pessoas se negam a aceitar que ainda existem muitos pontos estruturais a serem transformados para que tenhamos uma cidade realmente equalitária”, concluiu Viana.
