Nove diretores de um hospital psiquiátrico de Catanduva foram presos em uma operação para desarticular um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que desviou mais de R$ 1,6 bilhão em recursos públicos. A ação, denominada Operação Duas Caras, é do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A investigação aponta que a organização social (OS) responsável pela gestão de unidades de saúde em diversas cidades firmava contratos de gestão e, em seguida, contratava empresas terceirizadas que pertenciam ao próprio grupo criminoso. Essas empresas emitiam notas fiscais falsas e com valores superfaturados para desviar o dinheiro. Além disso, a OS teria criado um departamento extrajudicial para fazer contabilidade paralela, lavagem de capitais e pagamentos indevidos.
A Justiça expediu mais de 100 mandados em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina. Entre eles, 12 eram de prisão temporária. No entanto, nove pessoas foram presas, pois três dos alvos não foram encontrados ou tiveram a prisão adiada por questões de saúde.
Consequências do Esquema
O promotor João Paulo Gabriel de Souza, do Gaeco, explicou que a gestão fraudulenta da OS resultou em consequências graves, incluindo o registro de mortes em unidades administradas pelo grupo e diversas ações trabalhistas. Para garantir a continuidade dos serviços de saúde à população, a Justiça determinou a intervenção na entidade e proibiu a rescisão de contratos de gestão por 30 dias.
A administração da Associação Mahatma Gandhi e da OS Mahatma Gandhi foi assumida pela empresa FVS por determinação judicial, com o objetivo de regularizar a situação da entidade.
Ligação com Operação em Bebedouro
Um dos alvos da Operação Descalabro, da Polícia Federal, o ex-prefeito de Bebedouro Fernando Galvão Moura, também é investigado por ter ligações com a OS de Catanduva. As investigações apontam que a entidade teria firmado contratos com empresas de fachada ligadas a seus dirigentes, desviando recursos destinados à área da saúde do município, em um contrato avaliado em R$ 13,2 milhões. A defesa de Moura nega as acusações e afirma que ele se manifestará nos autos do processo.
