segunda, 2 de março de 2026

Pai denuncia racismo e ofensas em “diário” contra filho de 10 anos em escola de Santo Antônio do Aracanguá

Foto: Reprodução/TV TEM

Um caso de discriminação chocou um pai após ele descobrir que alunos de uma escola no distrito de Vicentinópolis, em Santo Antônio do Aracanguá (SP), escreveram um “diário” com ofensas direcionadas ao seu filho de 10 anos. O menino, aluno do 4º ano, teria sofrido discriminação por causa da cor da pele e da condição financeira da família.

O pai, o aposentado José Eduardo de Castilho, relatou que o filho tem sido chamado de “macaco”, “preto”, “maconheiro” e “mendigo” por colegas na Escola Maria José Jesus Costa. O conteúdo do “diário”, escrito por três alunos (dois meninos e uma menina), foi confirmado ao pai por outra colega de classe há cerca de um mês.

Família relata revolta e teme que o caso “termine em pizza”

“O que está escrito aqui não tem cabimento, não consigo descrever o que eu sinto, é revolta demais. É difícil”, lamentou José Eduardo. Ele não conseguiu registrar um boletim de ocorrência por morar na zona rural, a cerca de 20 quilômetros da delegacia. “Espero que não aconteça mais e que tome uma providência. A gente é pobre, se fosse filho de um rico… como a gente é pobre, isso vai ‘terminar em pizza'”, desabafou o pai.

Diretora do Departamento Municipal de Educação, Vera Bezerra da Silva, reconheceu que as ofensas não podem ser consideradas brincadeira: “São crianças, mas já têm que ter noção do que pode ou não pode. Eu preciso respeitar o espaço do outro”.

A Secretaria Municipal de Educação informou que, ao tomar conhecimento do caso, solicitou um relatório detalhado à direção da escola e iniciou as medidas:

  • Os pais dos estudantes envolvidos foram chamados individualmente para orientação.
  • Uma reunião coletiva foi convocada, mas teve baixa adesão.
  • A escola oferece acompanhamento psicológico coletivo semanal para a turma e atendimento individualizado para o aluno vítima todas as quartas-feiras.
  • A unidade reforçou as ações de conscientização e orientação sobre bullying, respeito às diferenças e preconceito racial.

O Departamento de Educação repudiou qualquer forma de discriminação e afirmou que segue acompanhando o caso, oferecendo todo o suporte necessário aos alunos e famílias envolvidas.

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