Em uma operação realizada nesta segunda-feira, a Polícia Federal (PF) prendeu em Osório (RS) um dos criminosos mais procurados do País, com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. O indivíduo é acusado de ser peça-chave, tanto no planejamento quanto na execução, de dois crimes de grande repercussão nacional: o violento assalto em Araçatuba (SP), ocorrido em 2021, e o ataque à aeronave pagadora no Aeroporto Regional de Caxias do Sul (RS), em junho de 2024.
Os Ataques: Violência e Organização
O histórico do criminoso inclui:
- Ataque em Caxias do Sul (2024): Nove indivíduos fortemente armados invadiram a área restrita do aeroporto utilizando três veículos blindados, dois deles disfarçados como viaturas da Polícia Federal. O grupo subtraiu mais de R$ 14 milhões. No confronto com as forças de segurança, o sargento da Brigada Militar Fabiano Oliveira foi morto.
- Mega-Assalto em Araçatuba (2021): Na madrugada de 29 para 30 de agosto de 2021, cerca de 20 criminosos tomaram a cidade. Eles atacaram simultaneamente três agências bancárias (incluindo Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), explodiram caixas eletrônicos, acessaram cofres, e usaram reféns como escudos humanos. Para isolar a região, veículos foram incendiados. O saldo foi de três mortos (dois civis e um criminoso) e cinco feridos, sendo um jovem que perdeu os dois pés por contato com explosivos abandonados nas vias.
Tática de “Domínio de Cidades”
A detenção do líder reforça o combate a quadrilhas especializadas na tática conhecida como “domínio de cidades”. Segundo a PF, essa estratégia é marcada pela tomada de controle de trechos urbanos por grupos criminosos organizados, utilizando armamento pesado, explosivos, veículos blindados e reféns para garantir o sucesso da ação e a fuga.
A prisão ganha ainda mais relevância simbólica, dado que o assalto de Araçatuba inspirou um episódio da segunda temporada da série brasileira da Netflix, “DNA do Crime”, evidenciando a dimensão dos crimes cometidos.
O suspeito foi conduzido ao sistema penitenciário e permanece à disposição da Justiça. As próximas fases da investigação federal concentram-se no interrogatório, na análise de vestígios tecnológicos (comunicações e rastreamento) e na busca por desdobramentos para desarticular a estrutura completa da quadrilha.
