domingo, 1 de março de 2026

Polícia Civil investiga servidores suspeitos de auxiliar fuga em caso de quádruplo homicídio no Paraná

Dois policiais civis lotados na delegacia de Icaraíma, no norte do Paraná, estão sob investigação por suspeita de terem facilitado a fuga dos principais acusados pelo assassinato de quatro homens na cidade. O caso, que completou quatro meses em dezembro, está sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Civil.

A apuração busca determinar se os agentes vazaram informações confidenciais que poderiam ter beneficiado os suspeitos, Antônio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, considerados foragidos desde 9 de agosto. Na última terça-feira (9), mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra os policiais, e equipamentos eletrônicos, incluindo celulares, foram recolhidos para análise.

O delegado Gabriel Menezes informou que os servidores, que foram realocados para outra unidade, não tinham papel específico na investigação, mas auxiliaram no trabalho de campo devido ao tamanho reduzido da delegacia de Icaraíma. Eles foram afastados do caso após surgirem as suspeitas de vazamento. Se as alegações forem comprovadas, os policiais podem responder por favorecimento pessoal e corrupção, podendo ser demitidos.

O Crime e a Dívida

As vítimas – Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza – foram mortas em 5 de agosto, em uma emboscada. Três delas saíram de São José do Rio Preto (SP), contratadas por Alencar para cobrar uma dívida dos Buscariollo, possivelmente relacionada a um imóvel.

As investigações apontam que os quatro homens foram vítimas de uma execução instantânea na propriedade rural que era objeto da dívida. A polícia concluiu que foram utilizados pelo menos cinco armas de calibres variados, incluindo um fuzil, e que os disparos vieram de no mínimo três pontos distintos, sugerindo a participação de pelo menos cinco pessoas no crime.

Segundo a polícia, após serem mortos, os corpos e a caminhonete das vítimas foram levados e enterrados em uma cova e um bunker separados. A polícia divulgou que a natureza do solo preservou os corpos, em um fenômeno conhecido como saponificação.

Ligações com o Crime Organizado

A Polícia Civil também divulgou áudios que indicam que as vítimas desconfiavam do envolvimento dos Buscariollo com atividades ilícitas, como tráfico de drogas e contrabando de cigarros. Em uma das mensagens, Alencar expressa receio de uma retaliação por parte dos devedores.

O delegado Gabriel Menezes confirmou que há indícios de que a família Buscariollo possui ligação com o contrabando de cigarros, e que essa rede pode envolvê-los com o crime organizado.

O Outro Lado

O advogado que representa Antônio e Paulo Buscariollo, Renan Farah, alega que a autoria dos homicídios ainda não foi comprovada e que outras linhas de investigação estão sendo exploradas pela polícia. Ele defende que a fuga de seus clientes permitiu que a investigação prosseguisse, evitando que eles se tornassem “bodes expiatórios”. O advogado também questiona a origem do vazamento de informações que facilitou a fuga, afirmando que os Buscariollo estavam longe da cidade na época.

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