domingo, 1 de março de 2026

Polícia Civil recupera celulares doados pela Receita Federal para Etec

Uma operação da Polícia Civil desarticulou, entre quarta (7) e quinta-feira (8), um esquema de venda irregular de smartphones que deveriam estar sob a custódia da Escola Técnica Estadual (Etec) de Lins. Ao todo, os agentes conseguiram recuperar 58 aparelhos que haviam sido doados pela Receita Federal à instituição de ensino, mas que acabaram sendo comercializados em lojas de sete cidades diferentes do interior paulista. A investigação começou após uma denúncia detalhar que os produtos, originalmente destinados a fins educacionais, estavam disponíveis para venda em comércios da região.

A ofensiva policial cumpriu mandados de busca em municípios como Lins, Promissão, José Bonifácio, Mirassol, São José do Rio Preto e Lourdes. No entanto, o maior volume de apreensões ocorreu em Ubarana, onde 27 celulares foram encontrados em uma única loja. O proprietário desse estabelecimento foi preso em flagrante por receptação qualificada, crime que ocorre quando alguém adquire ou vende produtos de origem ilícita no exercício de atividade comercial. Ele foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Lins para prestar esclarecimentos.

De acordo com o histórico levantado pela polícia, a Receita Federal doou originalmente 150 aparelhos para a escola técnica. Um ponto central da investigação agora foca no trajeto desses bens: as autoridades confirmaram que um funcionário da Etec assinou o documento de retirada dos celulares na Receita, mas ainda não se sabe se os itens chegaram a entrar fisicamente na unidade de ensino ou se foram desviados antes disso. A Polícia Civil apura a conduta de servidores e de possíveis intermediários que facilitaram a saída dos produtos do ambiente institucional para o mercado paralelo.

A operação contou com o trabalho integrado de diversos departamentos, incluindo o Centro de Inteligência e as delegacias especializadas em entorpecentes e investigações gerais. Enquanto os 58 aparelhos recuperados permanecem apreendidos como prova, a polícia segue com as diligências para localizar o restante da carga doada e identificar todos os envolvidos no esquema. O caso reforça a fiscalização sobre o destino de bens doados por órgãos federais, garantindo que o patrimônio público não seja desviado para o lucro particular.

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