A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), uma operação para investigar o uso indevido de sistemas da Receita Federal e o possível vazamento de informações sigilosas de autoridades. Um dos alvos principais da ação foi um auditor fiscal, que reside em um condomínio de luxo em São José do Rio Preto. Além da busca no interior paulista, os agentes cumpriram outros três mandados nos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro, com o objetivo de colher provas sobre o acesso ilegal a dados protegidos.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Durante as diligências, celulares foram apreendidos e os envolvidos foram levados para prestar depoimento aos investigadores. A Justiça também determinou medidas cautelares rigorosas para os alvos, incluindo o afastamento imediato de suas funções públicas, o uso de tornozeleira eletrônica, o cancelamento de passaportes e a proibição de deixar o país.
A investigação teve início em janeiro deste ano, quando o STF solicitou à Receita Federal uma auditoria completa em seus sistemas após suspeitas de que dados de ministros da Corte e de seus familiares estariam sendo consultados sem justificativa legal. A polícia busca confirmar se funcionários do órgão quebraram sigilos fiscais ilegalmente nos últimos três anos. Resultados preliminares dessa auditoria já indicaram desvios de conduta, o que motivou a operação desta terça-feira.
Em resposta aos episódios, a Receita Federal informou que vem reforçando o controle interno e restringindo perfis de acesso desde o ano passado para evitar novos abusos. O órgão destacou que, no último período, concluiu sete processos disciplinares relacionados ao tema, resultando em três demissões e outras sanções administrativas. O trabalho de auditoria continua em andamento para mapear toda a extensão dos acessos não autorizados e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
