domingo, 1 de março de 2026

Poluição e algas voltam a deixar as águas do Rio Tietê verdes em Adolfo

O Rio Tietê voltou a apresentar uma coloração esverdeada e densa no trecho que corta a cidade de Adolfo, preocupando moradores e pescadores da região. O fenômeno, que vem acompanhado de um odor forte e desagradável, tem provocado a morte de diversos peixes e prejudicado a atividade pesqueira local. Segundo relatos de frequentadores do rio, a situação se tornou recorrente nos últimos três anos, afetando o ecossistema de forma generalizada e afastando quem depende das águas para o sustento ou lazer.

Especialistas e lideranças locais explicam que o problema está ligado ao processo de eutrofização, agravado pelo calor e pelo acúmulo de resíduos. Durante o período de chuvas, a água que escorre das plantações carrega agrotóxicos e nutrientes para dentro do leito do rio, servindo de “alimento” para a proliferação descontrolada de algas. Essa camada verde na superfície impede a passagem da luz solar, interrompendo a fotossíntese nas partes mais profundas e reduzindo drasticamente o oxigênio na água, o que causa a asfixia e a morte da fauna aquática.

Diante do agravamento do cenário, foi criada a Frente Parlamentar Vereadores pelo Tietê, que reúne representantes de 46 municípios em busca de soluções junto ao governo estadual. Embora audiências públicas tenham sido realizadas na Assembleia Legislativa de São Paulo no último ano e leis municipais tenham sido criadas para proteger o rio, as lideranças políticas de Adolfo cobram medidas práticas e definitivas, alegando que as promessas feitas até agora ainda não saíram do papel enquanto a qualidade da água continua a piorar.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que realizará novas fiscalizações nos trechos de Adolfo, Sabino e Promissão para avaliar a extensão do dano ambiental. Enquanto os órgãos competentes analisam o caso, a comunidade local convive com o prejuízo econômico e ambiental. Para os pescadores, a atividade tornou-se incerta e difícil, já que a “sopa verde” que se forma no rio inviabiliza a pesca e sinaliza um desequilíbrio ecológico que ameaça o futuro de um dos principais mananciais do estado.

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