O Rio Três Pontes, importante afluente do Rio Tietê localizado em Novo Horizonte, atravessa uma crise ambiental que tem gerado prejuízos econômicos e desânimo entre os moradores da região. Nas últimas semanas, a água do rio apresentou uma coloração esverdeada e um odor forte, o que acabou afugentando os turistas durante as festas de final de ano. O cenário, que antes era de lazer e movimentação nos ranchos às margens do rio, deu lugar ao silêncio e à frustração de proprietários que, como o representante comercial Fábio Santana Rosa, viajaram de longe apenas para encontrar um ambiente impróprio para o uso e para a pesca.
Para quem depende profissionalmente do rio, a situação é ainda mais grave. Pescadores antigos da região, como José Bento Saquete e Milton de Paula, relatam que espécies nativas como o dourado e o pintado praticamente desapareceram, tornando a sobrevivência através da pesca uma tarefa quase impossível. Além da degradação ambiental, os profissionais enfrentam dificuldades financeiras devido ao atraso no pagamento do seguro-defeso, benefício essencial durante o período de piracema, quando a pesca é proibida para permitir a reprodução dos peixes.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realizou uma vistoria técnica no local nesta terça-feira (6) e atribuiu o fenômeno às altas temperaturas somadas à baixa circulação da água, condições que favorecem a proliferação de algas. No entanto, a explicação não convence totalmente a comunidade local. Moradores e trabalhadores afirmam que o problema é recorrente e que a poluição constante tem “matado” o rio gradualmente ao longo dos anos, destruindo o potencial turístico da região e desvalorizando os imóveis rurais.
Enquanto a situação não é resolvida, a Cetesb orienta que a população e os visitantes evitem qualquer contato direto com a água para prevenir problemas de saúde. O órgão informou que continuará monitorando a qualidade do rio para identificar se existem outros fatores, além dos climáticos, contribuindo para o mau cheiro e para a cor da água. Para os moradores, fica o apelo por medidas mais eficazes de recuperação de um patrimônio natural que, segundo eles, está perdendo sua vida e sua utilidade para a cidade.
