domingo, 1 de março de 2026

Prisão de Maduro gera esperança e apreensão entre imigrantes venezuelanos na região

A notícia da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação militar dos Estados Unidos na madrugada do último sábado (3), provocou uma onda de fortes emoções na comunidade venezuelana que reside na região de São José do Rio Preto. Para muitos imigrantes que deixaram o país vizinho fugindo de crises sucessivas, o episódio representa o que chamam de “o começo do fim” de um regime autoritário. No entanto, o alívio pela prisão é acompanhado de uma profunda preocupação com a segurança de familiares que ainda vivem na Venezuela, diante do clima de incerteza e instabilidade política que tomou conta das ruas após a operação.

Em São José do Rio Preto, os venezuelanos já representam metade do público estrangeiro atendido pelos serviços de assistência social. A estimativa é que, ao longo de 2026, cerca de 550 imigrantes recebam suporte do município, um crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior. Entre essas histórias de recomeço está a de Jorge Antônio Rodríguez e Jadriana Josefina, que chegaram ao Brasil em 2020. Jorge, que hoje trabalha na indústria metalúrgica, relatou ter sido acordado pela esposa com notícias de explosões em Caracas. Para ele, a captura do líder venezuelano é um marco histórico que encerra anos de sofrimento e espera por mudanças democráticas.

O sentimento é compartilhado por Sergimary Del Carmen Molina, engenheira de petróleo que atualmente trabalha como açougueira em Catanduva. Morando no Brasil há sete anos, ela descreveu a notícia como um grito de liberdade, mas ressaltou o medo que sente por sua mãe, que vive na Venezuela e enfrenta dificuldades de comunicação devido à instabilidade dos serviços de internet no país. Sergimary observa que, embora a saída de Maduro seja um passo crucial, o processo de transição política é visto com cautela, já que o país ainda vive sob o risco de forte repressão e disputas internas pelo poder.

Enquanto a comunidade internacional discute a legalidade da operação, Nicolás Maduro já foi levado aos Estados Unidos, onde se declarou inocente das acusações de narcotráfico e uso de armas em uma audiência em Nova Iorque. Na Venezuela, o cargo foi assumido de forma interina pela vice-presidente Delcy Rodríguez. Para os venezuelanos radicados no interior paulista, o momento é de vigília constante, divididos entre o sonho de ver o país natal livre e o receio de que o período de transição resulte em novos conflitos para quem ficou para trás.

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