Seis meses depois de começar as investigações sobre o “caso Héverton”, o Ministério Público ainda não descobriu o que aconteceu no episódio que resultou na queda da Portuguesa para a Série B do Campeonato Brasileiro.
Quase 24 semanas após o início da apuração, o órgão já começa a admitir que será difícil provar de que houve algo ilícito na última rodada da competição no final do ano passado.
Em janeiro, o promotor Roberto Senise deu diversas declarações sobre o assunto: dizia que a escalação do atleta para a partida não fora uma falha qualquer e defendia a tese de que alguém havia ganhado alguma coisa para ter cometido o suposto erro. Segundo ele, a Portuguesa sabia que não poderia contar com o meia para o último duelo, por causa de uma suspensão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Senise ficou até outubro tentando provar a sua desconfiança, ouvindo depoimentos que pudessem atestar o que suspeitava, recolhendo documentos, movimentações bancárias de pessoas (físicas ou jurídicas) que pudessem estar envolvidas, mas não encontrou nada relevante. Em abril, entregou o inquérito para outro departamento, o Gaeco, grupo de elite do MP que cuida de crime organizado.
Desde então, no entanto, nada novo foi encontrado. Com os campeonatos já iniciados, o tema virou secundário dentro do órgão e a chance de uma revelação aparecer nos próximos dias é mínima, segundo o próprio (novo) responsável pelo caso, o promotor José Roberto Fumach. Porém, o assunto ainda não foi arquivado.
“Não apareceu nada de novo desde que o caso veio para cá. Acho que será difícil chegar a algum lugar. Não achamos nada que nos indique alguma coisa, algum suborno ou qualquer coisa ilícita. Nem as movimentações bancárias nos deram dicas importantes. Não posso comentar o que o outro promotor dizia, até porque ele esteve muito mais próximo do que eu, mas o que posso falar é que não há prova de nada e hoje também não saberia te dizer qual seria uma suspeita”, afirmou Fumach em entrevista ao ESPN.com.br.
“Ainda temos linhas de investigação para ir em frente. Você só arquiva o caso quando não há mais saída, quando acabou com todas as possibilidades. Não é o caso, ainda. Vamos tentar outras coisas e acredito que em três meses ou quatro eu terei mais convicção para te apontar o resultado da nossa apuração”, completou.
De acordo com o promotor, uma investigação interna na Portuguesa começou há algumas semanas e ainda não foi finalizada. Assim que o processo terminar, dirigentes serão ouvidos novamente para tentar ajudar no andamento das investigações do MP.
“Vamos esperar o que vai acontecer lá dentro. Uma pessoa disse para o Senise que talvez isso possa nos ajudar mais para frente. Estamos também esperando coisas assim”, explicou.
“Se houver uma pista desta investigação interna, pode nos ajudar. Só com o que temos será difícil dar mais passos. Por exemplo, as movimentações bancárias não justificam um pedido de quebra de sigilo bancário. Não há nada de relevante para isso. Se houve algo fora do país, não teremos acesso”, encerrou.
