Para a psicologia clínica e de reabilitação física e psicossocial, o corpo comprometido é vivenciado não apenas como lesão biológica, mas como perda de objeto (por amputação, lesão medular, sequelas de acidente vascular encefálico, outras doenças crônicas) e tem, como consequências, o luto, melancolia, angústia ou culpa e depressão (Bonfim, 2019). Quando o corpo sofre lesões ou limitações funcionais, perde sua integridade física e capacidade anterior, vivenciadas não só como problema médico, mas como perda do objeto (em sentido psicanalítico), desencadeando um processo de enlutamento pela parte perdida com estranhamento do próprio corpo, e o indivíduo vivencia a perda dessa parte como um aniquilamento de si (Galván; Amiralian, 2009).
Em psicanálise, o corpo não é somente u’a máquina biológica, mas um corpo erógeno constituído pela linguagem, pulsão e experiência do sujeito (Eufrásio, 2024). O interesse da psicanálise volta-se para o modo como o sujeito vivencia, sente e representa o próprio corpo, sempre tocado pelo desejo inconsciente, isto é, o corpo como lugar de inscrição do sujeito, linguagem, pulsão e gozo. Para além de seu “estatuto biológico, [o corpo] é o território onde o sujeito produz sentidos e significados sobre si e sobre o mundo a partir da relação que estabelece com o contexto social” (Silveira; Cruz; Méllo, 2021, p. 249).
Em vez de direcionar o olhar simplesmente para o funcionamento anatômico, orgânico, somático, o psicanalista escuta o sujeito por trás da doença e aborda a dimensão subjetiva que reage ao adoecimento e à nova realidade física de um corpo vivido e investido de libido (energia psíquica), subjetividade e representações inconscientes (Bonfim, 2019). Considera que cada indivíduo tem uma relação subjetiva própria com seu corpo, lida e reage de maneira peculiar com o adoecer, com a relação entre corpo e mente, assim como com a diferença entre corpo e imagem corporal, entre a questão biológica e o corpo de cada indivíduo (Lima, 2016).
Para Lacan, o corpo não é apenas o organismo biológico, mas uma construção permeada pela linguagem, gozo e imagem, articulada em três registros: Real, Simbólico e Imaginário. O corpo é “falante” (parlêtre), contém um significante (Simbólico), vivenciado como imagem (Imaginário) e habitado pelo gozo (Real). Em essência, é o corpo é locus onde o gozo e a linguagem se encontram, frequentemente através do sintoma. Assim, na visão lacaniana, o corpo é “marcado pelo significante e habitado pela libido, corpo erógeno e singular”, um corpo de desejo e gozo, dimensões que contribuem para repensar o corpo em psicanálise à luz da nova perspectiva da linguagem (Cukiert; Priszkulnik, 2002, p. 143).
Lacan ampliou a visão de Freud ao definir o corpo por meio dos três registros (Paim, Kruel, 2012; Faustino; Falek, 2014; Scarano; Pertile, 2021; Silveira; Cruz; Mélo, 2021), assim caracterizados: corpo imaginário, construído por meio do “estádio do espelho”, em que o sujeito (a criança) se identifica, revela o esquema corporal e assume uma forma unificada (eu/moi); o corpo simbólico, mediado pela linguagem, nomeado pelo outro, contido nas palavras; e corpo real, o corpo que “acontece”, o corpo da “carne”, lugar do gozo e do excesso que escapa à linguagem (Torres, 2020).
O campo psicanalítico define o corpo a partir de sua organização pulsional, que ultrapassa o corpo como organismo, produz no humano uma dimensão para além do biológico, orgânico ou fisiológico – a pulsão e sua representação no inconsciente. Nesse plano, ocorre a investigação das doenças do corpo pela psicanálise, um corpo como lugar de inscrição de significados, de desejos inconscientes de cunho sexual, a partir do inconsciente e da pulsão em que se manifestam algumas doenças devido a impasses (lesões, traumas) na sua constituição (Retondar, 2018).
Diferentemente da medicina, que busca erradicar o sintoma coincidente com uma doença, a psicanálise, por meio da associação livre e da transferência, objetiva encontrar o sentido do sintoma e o trata como um significante que revela a verdade do desejo inconsciente (Carvalho; Honda, 2017; Ferreira, 2021). O “recurso de diagnóstico e tratamento da psicanálise é a palavra em transferência [ou em associação livre], o simbólico, e, como processo de tratamento fundado na palavra, faz falar o sintoma” (Dal-Cól, 2016, p. 13). Isto permite que o sintoma seja decifrado, analisado e ressignificado pelo sujeito, em vez de apenas suprimido (Souza, 2023). Em psicanálise, o sintoma aparece atrelado ao corpo não como uma doença a ser eliminada, resultante de um trauma, mas como uma formação simbólica – uma experiência que o psiquismo não conseguiu processar ou simbolizar (Lemos; Chatelard; Tarouquella, 2021).
Reitera-se: em psicanálise, o sintoma não equivale à verdade da doença, mas expõe a verdade do inconsciente onde se busca apreender o desejo inconsciente indestrutível (Freud, 1996a). Para Lacan, o registro da verdade inconsciente, estruturado como linguagem, deve ser tomado ao pé da letra, isto é, a determinação simbólica deve ser considerada, antes de mais nada, como um fato de sintaxe, não caótico nem obscuro, mas organizado por leis simbólicas (sintaxe) similares às da linguagem – um caminho entre sujeito e objeto, cujos efeitos transitam do texto para o sentido (Dias, 2006; Rythowem, 2017).
O diagnóstico diferencial em clínica perpassa a relação do sujeito com o sintoma, e o trabalho com o “inconsciente se dá por via da fala, que expressará a realidade psíquica do sujeito”, enquanto o trabalho com a realidade psíquica questiona o estatuto de verdade daquilo que se apresenta como adoecimento (Garcez; Portela, 2019, p. 296, grifos nossos): a enfermidade ou sintoma físico estão descolados das representações subjetivas, como ocorre na clínica médica. A realidade psíquica do sujeito abrange o singular da relação do sujeito com o mundo, sua percepção no universo da linguagem. Nesta condição, o desejo desempenha papel central no processo analítico, eis que ele fundamenta as especificidades de cada indivíduo em sua singularidade, como também o momento da vida do sujeito.
Cherix (2015) destaca a importância da libidinalização do corpo pela palavra, em que o corpo é visto como um laço constituído de três elementos: o corpo biológico obtido ao nascimento, as imagens formadas como corpo próprio e as palavras que o nomeiam. Assim, os discursos e tratamentos conferidos à velhice (como corpo biológico), em cada época e cultura, têm efeitos sobre o corpo (redesenhado pelas imagens e palavras), da mesma forma como, atualmente, se cultuam a juventude e a atividade física e se procuram esconder as marcas da passagem do tempo. Corpos de crianças, adolescentes e adultos são olhados, admirados e tocados, enquanto o corpo do idoso é ignorado e só tocado quando é manipulado para higiene ou cai doente. O idoso tem tanta vontade de sentir contato físico (necessidade biológica) quanto jovens e adultos e continua expressando sua sexualidade até o fim da vida, embora, para o social, em uma visão preconceituosa, o corpo envelhecido não tenha mais interesse como objeto de investimento (Cherix, 2015; Chagas et al., 2020).
Na fisioterapia, porém, não há escolha quanto a ser ou não tocado. O trabalho fisioterapêutico é centrado no corpo (real), no toque como ferramenta indispensável no processo terapêutico e pode estar sujeito a tabus como o délire de toucher (delírio do toque) dos obsessivos (Freud, 2013), recalcamentos, proibições a estender-se em linguagem figurada com a expressão “entrar em contato” com o corpus alterius (corpo do outro), e outros estranhamentos (Cardozo et al., 2022; Sais, 2023).
Na psicanálise, o corpo não é somente um organismo biológico, somático, mas uma construção subjetiva permeada pelo simbólico, imaginário e real, capitaneada pela linguagem, pela pulsão e pelo desejo inconsciente (Gonçalves; Ribeiro, 2024). O corpo ganha status (estatuto) que “rompe com o puramente biológico e passa a ser pensado como lugar das inscrições pulsionais e fantasmáticas e significado pelo processo do tratamento pela linguagem” (Lindenmeyer, 2012, p. 352).
Iniciado com o estudo da histeria (Freud, 1996b), o corpo é o lugar de inscrição do sujeito, onde a fala se cala e o sintoma se manifesta: o sintoma aparece na psicanálise associado ao corpo, como o resultado de um trauma, reflexo de uma resposta do sujeito ao insuportável que o assola (Coppus et al., 2014).
Segundo Freud e Lacan, o corpo pulsional ultrapassa a dimensão biológica sem, contudo, dissociar-se dela. O corpo psicanalítico se apresenta, ao mesmo tempo, como o palco (lugar de encenação do jogo das relações entre o psíquico e somático) e o personagem (que compõe a trama das relações). Winograd e Mendes (2009) realçam que essa dupla inscrição (palco e personagem) se evidencia no conceito de pulsão por colocar o corpo, seus órgãos e seus processos orgânicos como sua fonte de pulsão e como sua finalidade (destinos) de onde os processos psíquicos retornam diretamente sobre esse corpo, agindo sobre ele e transformando-o.
É fundamental entender que Freud não abordou o corpo unicamente em seu aspecto simbólico e imaginário, mas também nos registros biológico e pulsional: o corpo é “também matéria, sendo sua biologia igualmente determinante, em maior ou menor grau, do que se passa no indivíduo [subjetivo]” (Winograd; Mendes, 2009, p. 211). Portanto, na visão freudiana, o corpo não se limita a duas dimensões (simbólico e imaginário), mas se alarga e alcança o corpo orgânico e biológico. Há, pois, que se aventar a existência de três registros do corpo (biológico, representacional e pulsional), admitindo-se que esses registros não aparecem isolados, mas que, em conjunto, impactam e reverberam entre si.
Nessa perspectiva, a teoria freudiana sugere a ideia de dupla racionalidade do lugar do corpo, com destaque para a biologia como determinante do que se passa no sujeito (Fortes; Winograd, 2018). Assim considerado, o corpo em psicanálise é o lugar da “passagem do outro, lugar de onde nasce o sujeito” (Lazzarini; Viana, 2006, p. 248) – eis, pois, a grande inovação freudiana por considerar essa dupla racionalidade como articulada pelo desejo.
A psicanálise sempre entendeu o corpo mais do que um organismo biológico. Enquanto Freud localiza o corpo como o lugar biológico e erógeno em que se manifesta a pulsão, Lacan o define como simbólico (linguagem), imaginário (imagem do eu no espelho) e real (habitado pelo gozo). Em Lacan, o corpo é o lugar de linguagem, uma fonte ilimitada de gozo, de excesso. É onde o inconsciente se concretiza, encarna (Cukiert; Priszkulnik, 2002; Winograd; Mendes, 2009; Rythowem, 2017; Pereira; Nicolau; Monteiro, 2019; Gonçalves; Ribeiro, 2024).
Na psicanálise freudiana, o corpo representa um lugar de inscrição simbólica, em que sintomas (conversões) traduzem conflitos psíquicos inconscientes, diferenciando-os do organismo biológico: Freud (1996b), ao introduzir a erotização do corpo, torna-o palco da pulsão e sua representação. A “histeria [freudiana] aparece como uma busca incansável de fazer falar aquilo que não é possível dizer” (Coppus et al., 2014, p. 26): a verdade do inconsciente é ouvida através do que o corpo pulsional coloca em cena, é o corpo histérico transformado em corpo erótico, disputado pela satisfação pulsional.
Em Lacan, o corpo biológico aparece como local de inscrição de significantes, marcado por desejos inconscientes e de fundo sexual, pela estrutura da linguagem e pelo gozo, transformando o corpo biológico em um corpo falante (Rythowem, 2017; Retondar, 2018). O corpo é demarcado pelo significante e habitado pela libido: é corpo erógeno e singular, corpo de desejo e, portanto, de gozo (Cukiert; Priszkulnik, 2002).
A psicanálise na reabilitação física atua como uma ferramenta clínica crucial a integrar o organismo biológico ao corpo erógeno e ao corpo simbólico, mediado pelo desejo e pela linguagem (Lemes, 2021). Nesta ótica, o corpo não é apenas fisiológico, uma estrutura lesionada, doente, mas um corpo representado, um corpo de linguagem construído pela pulsão e pela imagem no espelho: eis a razão por que, em pacientes com deficiências ou lesões, o corpo se torna central no manejo da transferência em que está em jogo a subjetividade (Rythowem, 2017; Santos, 2017).
Oportuno é lembrar que deficiência não é sinônimo de doença, mas “manifestação da diversidade humana” (Miranda; Castro Filho, 2017, p. 2). Deficiência é qualquer alteração do corpo, completa ou parcial, perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica (física) que incapacita o desempenho de atividade. Essa condição (de natureza física, mental, intelectual ou sensorial), em interação com barreiras, impacta a mobilidade, a coordenação motora, a independência da pessoa em graus variados (Silva, 2020), obstrui a participação social plena e efetiva da pessoa em iguais condições com os demais (Mota; Bousquat, 2021; Brazzale, 2024). No entanto, se proporcionadas acessibilidade e eliminação de barreiras, a deficiência não impede à pessoa que exercite seus direitos e autonomia.
Lazzarini e Viana (2006) observam que, a partir do trabalho clínico de Freud com as histéricas, surge, embora de forma incipiente, o corpo psicanalítico balizado pelo desejo inconsciente, sexual, atravessado pela linguagem em contraponto ao corpo biológico, organismo físico, constituído por órgãos e sistemas funcionais. O corpo da psicanálise traz à tona o erotismo ao retirar o corpo da esfera puramente biológica (anatomia/fisiologia) e situá-lo como um corpo erógeno, constituído pela linguagem e percorrido pela pulsão, evidenciando a sexualidade regulada pelo desejo (Bonfim, 2019). O corpo não carrega mais o conceito de organismo, corpóreo (biofísico/somático): o sujeito não tem um corpo, mas o sujeito é um corpo subjetivo (psíquico-mental), que une subjetividade e corporeidade em articulação única, singular (Lazzarini; Viana, 2006; Xavier, 2013; Cruz; Fontenelle, 2020; João, 2020).
Quando se fala em “entrar em contato”, interpretado como contato físico ou relacional profundo, o diálogo clínico deve ser conduzido de forma profissional, de modo a garantir uma intervenção percebida como técnica e terapêutica, ou seja, superar o tabu (do contato) por meio da “abordagem psicológica” como intervenção em saúde mental, com foco na saúde integral (Silva; Paula Júnior, 2019).
Embora o contato seja uma ferramenta diagnóstica e terapêutica primordial na fisioterapia, ele não é totalmente neutro e pode vir carregado de significados diversos. O contato (toque) pode gerar desconforto ou parecer uma violação de limites (boundary violation), dependendo de fatores culturais, pessoais, históricos de traumas e do modo como é aplicado (Długołęcka et al., 2024). O toque fisioterapêutico deve ser técnico, embora sua proximidade física, se não for bem comunicada, possa ser percebida como uma invasão do espaço pessoal: o consentimento e o respeito à subjetividade do paciente são primordiais para evitar uma percepção errônea (Gasparino; Guirardello, 2006; Marta, 2021; Kabanov, 2023).
O tabu faz referência à quebra de fronteiras éticas (boundary violations) e o risco de exploração emocional/sexual, frequentemente associado ao medo da “ladeira escorregadia” (slippery slope). Essa quebra inclui a possibilidade de manipulação, progressão de comportamentos que levem à conduta antiética e infrações graves (como quebra de limites profissionais, intimidade inadequada, assédio), excesso de realidade para a terapia, perda do aspecto simbólico do trabalho terapêutico, manutenção da dependência da pessoa (sem espaço ao desenvolvimento de autonomia) e intensificação da emotividade do cliente (Aravind; Krishnaram; Thasneem, 2012; Mármol-López et al., 2023).
A ótica psicanalítica reconhece o corpo como um depositário de memórias, inibições e recalcamentos (experiências suprimidas ou esquecidas por serem inaceitáveis à consciência). Essas experiências, frequentemente atreladas a tabus sociais, culturais ou religiosos, manifestam-se no corpo, influenciando o tratamento e exigindo uma abordagem sensível. Na abordagem profissional, o fisioterapeuta deve estar preparado para gerenciar essas questões através de uma anamnese minuciosa, humanização, respeito à autonomia do paciente e comunicação clara, transformando o “contato” em um instrumento de confiança e cura (Coronado et al., 2020).
A abordagem, técnica e terapêutica, deve estar focada no acolhimento, utilizando manejo verbal calmo e respeitoso para construir um ambiente seguro. A intervenção visa promover o autoconhecimento e a capacidade de o paciente gerenciar suas próprias questões. A conduta profissional do terapeuta presta-se a garantir que o paciente perceba a intervenção não como simples conversa, mas como ferramenta de saúde técnica e terapêutica essencial. Neste sentido, é importante estabelecer um clima de confiança e segurança na relação terapêutica com o paciente, permeando as etapas constituintes do processo psicoterápico (Alves, 2011).
Como a fisioterapia, frequentemente, atua na zona de intimidade do paciente por meio do toque direto para avaliação e tratamento, também requer do terapeuta manejo cuidadoso para evitar insegurança, resistência ou desconforto. O toque, que pode incluir palpação, manuseio e técnicas manuais, é uma forma de comunicação não verbal e, se não for bem explicitado ou ético, pode ser interpretado como uma violação da privacidade (Mendes et al., 2022; Sais, 2023; Oliveira; Sousa; Marques, 2025). Embora possa ser interpretado como ato técnico ou “entrar em contato” íntimo, o paciente tem de estar ciente de que tais movimentos são inerentes ao trabalho do fisioterapeuta (Mármol-López et al., 2023; Długołęcka et al., 2024).
Não menos importante é esclarecer e definir limites por parte do paciente:
a) o toque não significa invasão da privacidade, mas manejo da doença: é ato consciente de intervenção terapêutica para direcionar e manter, durante todo o processo, uma tensão livre e a intenção de cura (Silva et al., 1991; Marta, 2021);
b) na fisioterapia, o toque deve ser estritamente terapêutico: o paciente deve sentir-se à vontade para redefinir limites sobre onde e como deseja ser tocado – caso em que a comunicação clara é crucial para construir uma relação de confiança (aliança terapêutica) e superar a resistência (McHerron et al., 2025);
c) o corpo real e o “entrar em contato”: a fisioterapia frequentemente atua por meio do toque direto no corpo real por palpação, manuseio e técnicas manuais, o que deve ser interpretado como um ato técnico e não mero “contato íntimo” a invadir a privacidade (Oliveira; Sousa; Marques, 2025);
d) os frequentes tabus e o délire de toucher (delírio do toque ou toque compulsivo), associados a comportamentos obsessivos, são reflexos de um medo ou fixação irracional com o ato de tocar ou ser tocado – no contexto fisioterapêutico, o paciente pode manifestar ansiedade extrema diante da terapia manual, necessitando, assim, de uma abordagem ética e profissional cuidadosa no sentido de desmistificar o toque terapêutico (Coffito, 2013; McHerron et al., 2025);
e) é compreensível que o paciente expresse insegurança e resistência: o manuseio de áreas sensíveis ou a dor provocada por algumas técnicas manuais podem gerar medo, insegurança ou desconfiança – o fisioterapeuta deve estar sempre atento às respostas não verbais do paciente, abordando-o de forma empática para reduzir a ansiedade e o paciente aderir ao tratamento (Subtil et al, 2011);
f) o fisioterapeuta deve agir sempre com ética, respeito à dignidade e à autonomia do paciente, evitando toques desnecessários ou desrespeitosos para não macular ou violar a conduta (Marta, 2021);
g) recomenda-se a execução das boas práticas em procedimentos médicos, tais como higienizar as mãos antes e depois do toque, manter postura profissional e, se aplicável, pedir autorização para manuseios em áreas íntimas, garantindo um atendimento ético (Coffito, 2013).
Como “ato técnico”, o toque fisioterapêutico deve estar em equilíbrio com a escuta ativa, observação atenta e acolhimento, de forma a transformar a intervenção física em um cuidado humanizado e técnico. A terapia do toque é ato consciente de intervenção terapêutica para direcionar e manter todo o processo livre de tensão e buscar a cura; tem caráter meditativo para auxiliar o paciente a alterar o padrão de sua energia, com a função de acelerar o processo de cura (Silva et al., 1991; Marta, 2021; Oliveira; Sousa; Marques, 2025).
Em cenário clínico: o toque terapêutico, quando realizado com acolhimento e vínculo, gera confiança e aumenta a aliança terapêutica, elementos cruciais para o sucesso da reabilitação; o contato envolve empatia, compreensão e resposta genuína ao outro; a escuta ativa pelo terapeuta alcança as demandas emocionais e sociais, as queixas, medos e expectativas do paciente, permite entender o contexto da dor em uma expressão autêntica e facilita o autoconhecimento, a reestruturação cognitiva e o amadurecimento emocional; a linguagem não verbal do paciente durante o toque (contrações musculares de defesa ou expressões faciais) é fundamental para ajustar a intensidade e a direção da terapia (Mendes et al., 2022; Mariano Jr., 2025).
Para Bonfim (2019, p. 5), a escuta e a abordagem do paciente “balizada pela ética da psicanálise não olha[m] o doente, mas o sujeito além da doença, o particular […] o sujeito dividido entre o eu e o inconsciente”: olhar somente a doença é tropeçar na tentativa de construir um saber sobre o tratamento e a conduta no processo de reabilitação diante da relação subjetiva própria do paciente com o corpo e o adoecimento.
O trabalho fisioterápico não escapa a esta postura. Não se trata de apenas olhar o corpo (somático) e psiquismo, onde a doença física pode ser u’a manifestação da subjetividade: ao olhar para a doença, deve ultrapassar o tradicional dualismo (separar corpo e psique) e a consequente linearidade de causa-efeito. Ademais, não se podem negligenciar as articulações psíquicas inconscientes do sujeito, suas relações com o orgânico e seu percurso histórico que, muitas vezes, expõem uma doença como um reflexo de situações conflitantes e traumáticas (Pimentel, 2023).
Do fisioterapeuta se requer habilidade em associar suas capacidades e habilidades técnicas a suas habilidades comunicativas: saber escutar, compreender o paciente em estado de sofrimento, oferecer atenção e cuidado em forma de afeto (carinho, amor, respeito, solidariedade, apoio, escuta) e de contato físico (terapia manual). Sua atuação não se deve restringir à execução de técnicas e à aplicação de aparelhos, mas envolver uma abordagem que reúna, em um só corpo, competências profissionais e habilidades para lidar com o outro de forma abrangente (Subtil et al, 2011).
A reabilitação, pilar fundamental na saúde da pessoa, é processo terapêutico que visa recuperar, manter ou melhorar a capacidade funcional, a mobilidade e a qualidade de vida de sujeitos que sofreram lesões, doenças, cirurgias ou têm deficiências. A reabilitação não se concentra apenas na recuperação de habilidades perdidas (recuperação física), mas também na promoção da autonomia, redução de dores, melhoria do bem-estar global e, em particular, na saúde mental do paciente: a reabilitação não somente visa sanar o processo da doença, mas maximizar o potencial físico, mental, social e psíquico do indivíduo (Monti et al., 2017), albergando também pacientes críticos internados em unidades de terapia intensiva.
O processo de reabilitação se serve da farmacoterapia e outras intervenções como terapias de reabilitação física e funcional, fisioterapia, terapia ocupacional, exercícios funcionais e tecnologias (incluindo as assistivas), psicologia e neuropsicologia, psicoterapia psicanalítica, terapias alternativas e integrativas para restaurar a independência, a vida ativa e reduzir incapacidades (Prado et al., 2024; Uliana; Campos, 2025).
A reabilitação prevê abordagem interdisciplinar e multidisciplinar, um conjunto de medidas, ações e serviços que envolve profissionais de diferentes áreas (médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionistas e outros especialistas) que trabalham juntos para proporcionar um tratamento holístico ao paciente (Chagas et al., 2024). Esse processo é orientado a desenvolver ou ampliar a capacidade funcional e desempenho dos indivíduos, “potencialidades, talentos, habilidades e aptidões físicas, cognitivas, sensoriais, psicossociais, atitudinais, profissionais e artísticas que contribuam para a conquista da autonomia […] e de sua participação social em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas” (Brandini, 2016, p. 44).
A equipe multidisciplinar é convocada para escolher a terapia personalizada ideal, podendo incluir suporte familiar e terapia familiar ou grupal para fortalecimento emocional e de comunicação (Chagas et al., 2024), proporcionar suporte emocional e estimular a formação de vínculo de confiança entre a equipe de saúde e a família (Lima et al., 2025). O tratamento é individualizado, uma vez que cada paciente possui necessidades únicas, singulares, e a reabilitação deve ser orientada para a adaptação em atendimento às especificidades do indivíduo, como condição de saúde, metas e ambiente do usuári
A reabilitação moderna transcende o papel de tratar exclusivamente lesões ou recuperar funções perdidas após doenças ou procedimentos médico-cirúrgicos. Atualmente, valoriza-se a prevenção como enfoque especial, com atuação ativa para evitar complicações futuras, como imobilidade prolongada e inatividade (rigidez articular, enfraquecimento muscular, diminuição de circulação sanguínea – fatores de retardamento da recuperação), reduzir déficit alimentar e consolidar hábitos de vida saudáveis (Furtado et al., 2023; Mauglonh, 2024).
As abordagens na reabilitação reúnem cuidados personalizados com foco não somente na cura, mas em devolver funcionalidades, autonomia e qualidade de vida ao paciente. Atuando em modelo multidisciplinar, envolvem diversas áreas e englobam (Monti et al., 2017; Prado et al., 2024; Zarili, 2024):
a) ações pós-cirúrgicas (recuperar mobilidade e força, reduzir complicações após procedimentos cirúrgicos);
b) lesões traumáticas (resgatar habilidades motoras, funcionais e cognitivas em pacientes com lesões neurológicas, como TCE e AVE, ou músculo-esqueléticas);
c) doenças crônicas (respiratórias, como DPOC, cardiopatias e sequelas);
d) condições psíquicas, por meio de terapia cognitivo-comportamental e reabilitação neuropsicológica (para dependência química, saúde mental, transtornos cognitivos);
e) cuidados paliativos em doenças graves, focados no conforto, alívio de sintomas (como dor e dispneia) e manutenção da dignidade, aplicável desde o diagnóstico, complementados com abordagens de aspectos físicos, emocionais e psíquicos.
A reabilitação desempenha papel crucial na recuperação de pacientes após cirurgias, acidentes, doenças crônicas ou eventos traumáticos: com abordagem holística, trata não apenas a lesão física, mas o sujeito em suas dimensões física, psíquica, emocional e social. É vital para a reintegração social e a promoção da saúde mental, especialmente em clínicas psicológicas e psiquiátricas. A abordagem multidisciplinar é capaz de melhorar a qualidade de vida, prevenir complicações e ser essencial na saúde mental e em instituições de longa permanência (como casas de repouso) para aumentar a autonomia e bem-estar dos pacientes (Assis et al., 2025).
A reabilitação física concentra-se na correção do corpo lesado, trata e procura corrigir o corpo anatômico (músculos, ossos, funções), busca a recuperação funcional, enquanto a psicanálise intervém no sujeito que habita o corpo, permitindo que a fala (linguagem), em meio à dor ou sofrimento físico, dê sentido à vida além das lesões, e o sujeito não seja reduzido a seus sintomas físicos: ele deve projetar-se para além do habitual, transgredir o normal em uma relação própria e única com o corpo (Dal-Cól, 2016).
Tendo-se em vista que cada sujeito estabelece uma relação subjetiva própria com seu corpo, reage e lida de maneira particular com o adoecimento, a psicanálise escuta não o doente, mas o sujeito, o singular (Bonfim, 2019). O corpo da psicanálise – que coloca a sexualidade em evidência – realça o erotismo e regula o desejo: o corpo não se define pelo conceito de organismo, mas pelo puro do somático (Lazzarini; Viana, 2006), e a psicanálise busca transmudar o “organismo doente” em uma vivência subjetiva única (Gomes; Próchno, 2015; Bonfim, 2019).
Para a psicanálise, a reabilitação física integra a perspectiva interdisciplinar na tentativa de garantir um atendimento articulado entre as várias dimensões da experiência do corpo em sofrimento ou deficiente (Bonfim, 2019). Entre os diagnósticos atendidos mais comuns estão acidente vascular encefálico (AVE), paralisia cerebral (PC), amputação, traumatismos, doença de Parkinson, atrite reumatoide, esclerose múltipla e síndromes neurológicas em geral. A reabilitação integral deve ser entendida, pois, como a recuperação e desenvolvimento das potencialidades da pessoa em sua totalidade – física, sensorial, intelectual e psíquica (Ceron; Rocha, 2023; Assis et al., 2025).
A reabilitação da pessoa com lesão ou deficiência busca restaurar a capacidade funcional e desempenho humano, no sentido de contribuir para sua inclusão social, interagir de forma autônoma e prevenir agravos (Setúbal; Fayan. 2016). A reabilitação física trata ou atenua incapacidades provocadas por doenças crônicas, sequelas neurológicas e lesões de origens diversas. Nesta perspectiva, pretende alcançar o desenvolvimento do mais completo potencial físico, psicológico, social, profissional, compatível com o comprometimento e limitação do sujeito (Bonfim, 2019). As ações de reabilitação intentam recuperar capacidades, habilidades, recursos pessoais e comunitários para promover a independência e participação social das pessoas com a saúde comprometida ou em condições adversas e necessidades, de forma a aferir os benefícios dos processos da reabilitação de seu estado físico, mental ou sensorial, e permitir a inclusão educativa, laboral, social.
No tratamento de questões psíquicas que emergem no contexto da reabilitação, a perda sobressai na experiência dos pacientes. Alguns sujeitos conseguem realizar o luto sozinhos, mas outros há que demandam o trabalho analítico como facilitador deste processo. Um luto deve ser realizado diante de uma perda funcional (amputações, perda da capacidade da linguagem oral e escrita, do movimento corporal, da força de membros, da independência das atividades diárias, do exercício profissional, limitações de locomoção que restringem o convívio social etc.), bem como de perdas subjetivas (simbólicas) que afetam diretamente a psique (morte, abandono, fim de relacionamentos) e devem receber atenção e tratamento adequado (Seren; Tílio, 2014; Krueger, 2024).
Para a psicanálise, o corpo é uma construção psíquica e simbólica, não apenas orgânica. Ele é um palco onde o sujeito encena suas demandas inconscientes, amores e angústias (Verceze; Silva, 2019; Silva, 2025). Ao trabalhar a reabilitação física, a psicanálise há de considerar que luto e subjetividade, pelo agravo físico, são entendidos como perda de objeto, que gera reações mentais: o comprometimento corporal não representa somente uma disfunção orgânica, mas uma perda simbólica que exige elaboração subjetiva (Pereira; Pires, 2018).
O luto, tratado em psicanálise, se refere à inscrição subjetiva de uma perda significativa, em que o evento da perda não equivale à elaboração imediata da perda sofrida, mas a “um luto congelado, eternizado”, pela falta de elaboração: o “sujeito não quer se referenciar na perda, não quer se reconhecer como um sujeito faltoso, pois isso implicaria em (sic) remetê-lo à castração” (Bonfim, 2019, p. 7). O luto, opostamente à depressão, implica reconhecer que o objeto amado não existe mais, e cabe ao sujeito inquirir sobre o desejo de partilhar do mesmo destino (Freud, 1996c).
Quando o sujeito não consegue passar pela dor de reconhecer a falta, o sofrimento pode transformar-se em melancolia (o “eu” se identifica com o objeto perdido), recusar a separação, somatizar a perda (gerar sintomas somáticos, angústia) e adoecer. Portanto, o trabalho em psicanálise tem por finalidade alcançar o luto “saudável” (necessário para a continuação da vida), o que implica aceitar a ferida da perda, porque o luto não elaborado (somatizado/depressivo) se identifica com a perda e a transforma em uma “ferida aberta” e, muitas vezes, somatizada (Calheiros, 2014; Souza; Pontes, 2016).
Ao adoecimento segue a culpabilidade. A culpa reprimida (não reconhecida) busca alívio, e o inconsciente converte a angústia em dor física, isto é, o sofrimento físico se torna uma forma de (auto-)punição inconsciente, manifesta um conflito psíquico não processado, sente-se doente ao invés de culpado (o corpo “fala” o que a mente não consegue processar, substitui a culpa pela condição de doente): o sujeito prefere o sofrimento físico da doença para evitar a culpa reprimida (Moreno, 2014; Gonçalves, 2019; Oliveira, 2021).
A psicanálise, em essência, utiliza dois processos para elaborar o sofrimento interno do paciente: a associação livre e a transferência. Na associação livre, o paciente é encorajado a nomear tudo o que lhe vem à mente, sem censura, sem seleção, para o analista acessar conteúdos inconscientes reprimidos (sonhos e conflitos causadores de sofrimento) – o que possibilita ao analista interpretar conexões e padrões mentais que revelam a origem dos conflitos e sofrimentos e acessar memórias e desejos ocultos (Carvalho; Honda, 2017; Ribeiro, 2020).
No manejo da transferência, corpo requer acompanhamento terapêutico com a presença física do analista. É imprescindível que, neste manejo, o analista se norteie pelas noções de tática (interpretação), estratégia (manejo da transferência) e política da psicanálise (dimensão ética) quando conduz o tratamento. A transferência refere um fenômeno em que sentimentos, desejos e expectativas inconscientes do paciente são projetados no terapeuta, criando um espaço onde as dinâmicas emocionais passadas podem ser reexaminadas e compreendidas no presente, servindo como motor para elaborar conflitos passados (Oliveira, 2013; Prado; Anjos; Estevão, 2021; Santana; Rocha, 2024).
A psicanálise aborda o sujeito como contributo à sua reabilitação e não apenas o doente, o que lhe possibilita ressignificar seu novo corpo e suas capacidades, conferir novos sentidos e significações ao corpo e formar sua imagem corporal (Bonfim, 2019; Coppus; Pereira, 2020). Enquanto a fisiologia trata o esquema corporal (físico), a psicanálise se concentra na imagem corporal (como o sujeito se vê), mediando a relação do sujeito com seu corpo modificado (lesado) e permitindo que a carência (falta, ausência, falha) gerada pela doença seja contornada e superada por novos sentidos (Gomes; Prochno, 2015; Peres; Bocchi, 2020).
Na reabilitação, a psicanálise atua tanto na dimensão psicossocial (Rinaldi; Cabral; Castro, 2008; Dassoler; Palma, 2011), com foco na escuta singular e profunda de demandas individuais e coletivas do sujeito (Delgado, 2008), quanto na física, clínica, em sua vertente biológica, focada na cura com remissão dos sintomas (Carrijo; Domingues, 2024). Sua ação ultrapassa as esferas orgânicas da doença ou da lesão ao investigar a causalidade psíquica que se abriga por trás das manifestações físicas e trata o corpo como lugar de inscrição de significados, desejos inconscientes e conflitos internos (Retondar, 2018).
Como se ocupa de ambientes de reabilitação física e psicossocial, a psicanálise não se limita à recuperação funcional do corpo (orgânica), mas trabalha a forma como o sujeito elabora psiquicamente a lesão, a doença ou o sofrimento, considerando sua história, singularidade e inconsciente em uma perspectiva em que o sintoma físico pode ser a conversão de um conflito psíquico reprimido (Dal-Cól, 2016; Bonfim, 2019). A abordagem psicanalítica (caracterizada pela recuperação psicossocial) objetiva elaborar lutos, recuperar ou reinserir o desejo, manejando a associação livre e transferência com as equipes multidisciplinares, sem, contudo, ignorar a relação do sujeito com sua doença e os ganhos que se podem extrair da própria condição de “doente” (Rinaldi; Cabral; Castro, 2008; Silva; Silva; Pedroso, 2021; Uliana; Campos, 2025).
Em relação ao luto, a psicanálise o entende não apenas como reação à morte de alguém, mas como um trabalho psíquico profundo de desvinculação da libido de um objeto perdido, seja ele uma pessoa, uma situação incômoda, um ideal, uma porção danificada do próprio ser (amputação), sintomas ou marcações psíquicas, expectativas e desejos experimentados e perdidos em conjunto com o objeto. Para a reorganização do “eu” e a restauração do corpo afetado, o psicanalista é chamado a elaborar e trabalhar estratégias clínicas que favoreçam o reconhecimento da falta, o luto do “eu” ideal e a reintrodução do sujeito no campo do desejo e não apenas da performance (Soares; Castro, 2017; Maia; Cruz, 2022): a “dor psíquica é causada não pela ausência do outro, mas pelo vazio da perda com a qual o desejo se depara” (Souza; Pontes, 2016, p. 73).
A psicanálise não nega o orgânico, mas afirma que o corpo é vivido e habitado por “fluidos contidos no invólucro da pele”, o psiquismo, e a “relação entre eles [corpo e psiquismo] produz o que se conhece como saúde ou doença, ou seja, a doença também é um ‘discurso’” (Silva, 2025, p. 5).
Neste escopo, o psicanalista deve estar atento a alguns aspectos básicos. A reabilitação psicanalítica (trabalho com o corpo) implica ajudar o sujeito a (re)investir libido em um corpo lesionado. Isso ocorre porque uma lesão física pode gerar a perda do narcisismo (perda da imagem unificada de seu corpo, sentindo-o como estranho ou inabitável), luto do corpo saudável (necessidade de elaborar o luto do corpo que existia antes da patologia) e reinvestimento (re-habitar o corpo), cujo processo terapêutico conduz o paciente a relançar energia libidinal no corpo e re-erotizar as zonas afetadas, transformando um local de dor em um corpo habitável novamente (Cruz; Fontenelle, 2020).
Assim, ao trabalho psicanalítico é conferido:
a) cumprido o ciclo do luto, a libido deve ser liberada da fixação do objeto perdido (Castilho; Bastos, 2013; Alvarez, 2021);
b) direcionar a terapia psicanalítica para a reestruturação do desejo e permitir que o sujeito se desprenda de padrões repetitivos (reprodução de algo) e invista sua libido em novas conexões autênticas, projetos e amores (Torres, 2020);
c) operar para transformar a falta constitutiva do desejo, sustentado pela ideia de que se busca o que não se tem: só há desejo, se houver falta, ou, ainda, é justamente a partir da falta (ausência do outro) que o desejo aparece (Castilho; Bastos, 2013; Costa; Ravanello, 2024);
d) desintegração do corpo: trauma ou lesão física, por hábito, provocam a sensação de “corpo despedaçado”, opondo-se à imagem unificada de si construída pelo sujeito no estádio do espelho, quando o bebê (entre 6 e 18 meses) reconhece sua própria imagem no espelho e forma a base do seu “eu”, uma imagem totalizada e ideal que gera uma reação de júbilo (Faustino; Falek, 2014; Scarano; Pertile, 2021). Cabe à psicanálise auxiliar na reconstrução da imagem corporal e na integração da nova realidade física à identidade do paciente;
e) a dor física crônica, muitas vezes, escapa ao modelo biomédico tradicional, sendo abordada como um sintoma: a psicanálise busca compreender essa dor (excesso de tensão com impactos no corpo e no psiquismo), transformar a queixa orgânica narrada e permitir que a dor física (real) ocupe um lugar simbólico no psiquismo, reduzindo o sofrimento. A transferência da dor corporal para o domínio psíquico vincula-se ao direcionamento ou mudança do investimento libidinal (narcísico) para o investimento objetal (Santos; Rudge, 2014);
f) transferência como motor da cura: o paciente projeta, no profissional de reabilitação (fisioterapeuta, médico, psicólogo, psicanalista), sentimentos e demandas de amor ou frustração: o manejo transferencial propulsiona o tratamento e possibilita ao sujeito lidar com a perda, a limitação e o desejo de cura, criando um vínculo que sustenta o processo de reabilitação (Freud, 1969; Moreira, 2018; Santana; Rocha, 2024);
g) a psicanálise não olha somente o doente, mas o sujeito do inconsciente, o seu sofrimento: torna-se mediadora entre desejo e linguagem e confere escuta à singularidade de cada relação subjetiva com a lesão (Ramos, 2025);
h) diferentemente da anatomia, o corpo, na psicanálise, dispõe de zonas erógenas veiculadas pela libido: pela reabilitação psicanalítica, o paciente faz investimentos de energia da libido no corpo lesionado e o transforma em um corpo habitável (Lima, 2016; Fortes; Winograd; Perelson, 2018).
O trabalho terapêutico contribui para que o sujeito aceite a falta, não como um vazio paralisante, mas como um “motor” que movimenta o desejo a impulsionar a vida para novos caminhos por necessidade de renovação constante (Nunes, 2015; Almeida, 2024). A ausência (falta) gera necessidade, uma busca incessante por satisfação do desejo (exigida pela pulsão): diferentemente da necessidade biológica (motivação) que cessa quando satisfeita, o desejo humano se desenha como insaciável, movendo-se de um objeto a outro e garantindo que o sujeito não se queda estagnado, mas em constante trânsito em busca de algo novo (Lagoas; Chatelard, 2019; Rocha; Rosa, 2019). Não obstante, a psicanálise desvenda que essa busca transcende a satisfação da pulsão e mostra uma busca contínua do sujeito por uma causa, pela causa do desejo (Almeida, 2024).
A função do psicanalista vislumbra, em seu horizonte, o favorecimento do processo de elaboração das perdas e produz deslocamentos sobre um possível congelamento da identidade do sujeito aos significantes “doente”, “deficiente” (Bonfim, 2019). Ao invés de focar na doença (curativismo), a abordagem psicanalítica na saúde é direcionada à escuta do sujeito em sua totalidade (visão holística) – um corpo pulsional e pulsante, integrado à psique e constituído pela linguagem (Rufato; Rocha; Rossetto, 2024).
Peres e Bocchi (2020) aduzem, por fim, que a psicanálise constitui um aporte fundamental e enriquece a clínica ampliada, fundamenta práticas em saúde que priorizam a escuta do sujeito em sua singularidade, oferece aportes psicanalíticos para a apreensão teórica da dor física e viabiliza a superação da fragmentação e de limitações inerentes ao modelo biomédico.
Eis, pois, a identificação da tarefa essencial do psicanalista (Fortes; Winograd; Perelson, 2018): ajudar o sujeito a descobrir novos modos de enfrentar o processo e ressignificar sua vivência; construir possibilidades e novos planos de vida permeados por aquilo que lhe faz sentido e o faz sentir-se produtivo, vivo; transformar o corpo orgânico (lesionado) em “corpo de imagem e desejo” (habitável) para que o sujeito se aproprie de sua singularidade mesmo diante de limitações físicas.
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