O aumento na quantidade de furtos de fios em São José do Rio Preto chamou a atenção da polícia, que realizou uma operação em 24 de julho para reprimir a receptação de metais em sucatas e ferros-velhos. Na ocasião, mais de uma tonelada de material foi apreendida e duas pessoas foram presas em flagrante.
As investigações concluíram que grande parte do total de cinco toneladas de cobre comercializadas por mês é ilegal e produto de furto em Rio Preto, uma vez que a cidade não possui uma única indústria no setor. A operação tem como objetivo identificar as pessoas ou empresas que estão comprando os fios furtados, o que é considerado crime de receptação, com pena de três a oito anos de prisão.
A responsabilidade, conforme a polícia, é estendida às indústrias que procuram as sucatas e compram a matéria-prima sem procedência comprovada. Além da movimentação suspeita, os policiais desconfiam do funcionamento desses locais durante a madrugada.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, Everson Contelli, é durante a noite que a maioria dos criminosos age. “Para isso, também é preciso de uma rede de controle, até porque, sob o ponto de vista da polícia, nós não encontramos uma justificativa plausível para alguém, por exemplo, estar negociando cobre às 3h”, reforça o delegado.
Câmeras de segurança de uma gráfica no bairro Boa Vista, em Rio Preto, flagraram o momento em que um homem se aproxima e começa a mexer no quadro de energia da empresa. Ele se esconde quando carros passam pela rua, sobe o poste e furta a fiação. O comerciante Renato Fernandes explicou que é a segunda vez, em menos de seis meses, que o local foi alvo de furto. Além do transtorno, o prejuízo ultrapassa R$ 5 mil. “Daria uns R$ 1,6 mil por dia de faturamento que a gente deixou de faturar porque a gente ficou com esse quadro [de energia] parado e da outra vez foram dois dias, então já são três dias sem funcionar”, lamenta o comerciante.
A prefeitura, por sua vez, também relatou prejuízos com o furto de fios em escolas e unidades de saúde. De acordo com a administração municipal, o valor gasto para reparar os danos já ultrapassa R$ 1 milhão neste ano.
O secretário de Segurança Pública, Márcio Cortez, explicou à TV TEM que o município irá propor uma lei para tornar mais criteriosa a atuação das sucatas na compra de metais, além de aumentar o efetivo da guarda municipal. “O nosso maior plano é endurecer pela fiscalização municipal o comércio de sucata e de fios metálicos. Isso se dá através de uma forte legislação, no sentido de estabelecer um registro de origem dos produtos e também o rastreamento, exigindo dos estabelecimentos que possam fazer uma adequação quanto ao armazenamento e o recebimento com comprovação de origem”, pontua o secretário.
