quarta, 11 de março de 2026

Sobre a nota oficial

A nota oficial que o ex-prefeito divulgou na semana passada soaria cômica, não fosse a tragicidade do assunto. Nela, o grande gestor “tece loas” à sua administração e diz que…

A nota oficial que o ex-prefeito divulgou na semana passada soaria cômica, não fosse a tragicidade do assunto.

Nela, o grande gestor “tece loas” à sua administração e diz que “de choradeira o povo está saturado”.

Realmente, o povo está mesmo saturado de tanta choradeira e ele próprio deveria ser o primeiro a aceitar o resultado das urnas, que já vai longe, e chorar na cama que é lugar quente, para aproveitar uma frase cheia de ironia e dita por ele no dia de sua eleição, em outubro de 2008, quando respondia sobre as queixas da então candidata derrotada.

Voltando à nota, o nosso “Rei Midas às avessas” informa que a maioria das prefeituras está quebrada e que todas estão devendo ao INSS e aos seus institutos de previdência e com os salários atrasados, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Pode até ser natural para a estirpe de homens públicos de cuja linhagem descende o nosso “grande gestor”, acostumado a deixar dívidas astronômicas e impagáveis por onde passa, vide o exemplo da FEF, mas é óbvio não ser natural para as pessoas comuns e principalmente para aquelas que prezam pelo bom uso do dinheiro público, que são a grande maioria da população.

O ponto mais interessante da nota diz respeito à afirmação de que o “grande gestor” executou mais de cem obras e deixou outras tantas para serem executadas, e aí chegamos à conclusão de que ele tem razão num só ponto: a prefeita vai precisar de muita competência e imaginação para conseguir administrar uma cidade falida.

O “grande gestor” se esqueceu, porém, de dizer que herdou uma administração com dinheiro em caixa e apoio de todos os setores da sociedade e da política municipal, estadual e nacional e ainda assim “passou o bastão” de maneira desastrosa, quebrando não só o município, mas também a própria estima da sua população.

Não se diga que a crítica é exagerada, porque infelizmente não é. O que se critica é exatamente o político e a forma de fazer política que o grande gestor adota, nunca o ser humano, ao qual, aliás, todos devemos respeito.

O que se percebe claramente, pelo tom narcisista da nota, é toda amplitude e importância que o “grande gestor” se dá e dá à sua administração, a qual, embora rejeitada pela população, é cantada por ele e seus cupinchas em prosa e verso como a oitava maravilha do mundo.

Ora, Majestade, tenha dó de cada um de nós da população e resuma-se à sua atual insignificância. O povo agradece.

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