domingo, 1 de março de 2026

Terreiro de Tabapuã sofre série de ataques e polícia investiga intolerância religiosa

Um centro religioso de tradições afro-brasileiras, localizado em Tabapuã, no interior de São Paulo, tornou-se alvo de uma sequência de atos criminosos motivados por preconceito e intolerância. A Casa de Jurema Mestre Zé Baiano e de Quimbanda Maria Quitéria das Almas, que atua na comunidade desde 2019, registrou episódios de vandalismo e agressões verbais que levaram o responsável pelo espaço a buscar ajuda das autoridades. O caso agora está sob investigação da Polícia Civil, que tenta identificar os autores dos ataques ocorridos no loteamento de chácaras conhecido como “G 10”.

Os ataques começaram a se intensificar nas últimas semanas, com a placa de identificação do templo sendo pichada em duas ocasiões distintas, nos dias 21 e 25 de dezembro. Além do dano ao patrimônio, o local foi alvo de pedradas, e os fiéis relataram ter sofrido insultos enquanto chegavam para as cerimônias. A situação escalou quando a rua de acesso ao centro foi bloqueada com uma cerca de arame farpado, uma tentativa direta de impedir a entrada de frequentadores e o funcionamento das atividades espirituais e sociais do espaço.

Dirigida pelo Mestre Jorge Luiz da Silva, a instituição é reconhecida por prestar auxílio espiritual e material a pessoas que vêm de diversas cidades da região e até de outros estados. A casa é filiada à Federação de Cultos Afro-Brasileiros, reforçando seu compromisso com a preservação das tradições e o acolhimento comunitário. Diante da gravidade dos fatos, o responsável destacou que o espaço sempre buscou a convivência pacífica com a vizinhança e que os recentes ataques representam uma grave violação da liberdade de culto.

A Polícia Civil informou que já iniciou as diligências necessárias para apurar os crimes de intolerância e racismo religioso. Segundo os investigadores, todas as medidas administrativas e judiciais estão sendo tomadas para localizar os responsáveis pelo vandalismo e pelo bloqueio da via pública. As autoridades relembram que a prática de discriminação religiosa é crime previsto em lei, passível de punições severas, e reforçam a importância de que qualquer ato de violência dessa natureza seja denunciado formalmente.

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